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Hora Americana - Podcast de História das Américas

Hora Americana - Podcast de História das Américas

By Hora Americana
Podcast criado com o objetivo de discutir temas relativos à História das Américas.

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#27 - Garcia Marquez: literatura, história e memória, com Felipe Vieira (IFSP)

Hora Americana - Podcast de História das Américas

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#33 - Cinema, Política da Boa Vizinhança e Anticomunismo, com Alexandre Valim (UFSC)
No episódio #33 do Hora Americana, conversaremos com o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Alexandre Valim sobre as relações entre o cinema de Hollywood, a política de boa vizinhança e o anticomunismo.   Imagem do episódio: Rally for the Hollywood Ten, 1950;  Wisconsin Center for Film and Theater Research | https://bityli.com/s44Fuq
01:04:41
November 26, 2021
#32 - A segunda escravidão nas Américas, com Keila Grinberg (UNIRIO)
No episódio #32 do Hora Americana, conversaremos com a professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) Keila Grinberg sobre o conceito de segunda escravidão. Imagem do episódio: Family of African American slaves on Smith’s Plantation, Beaufort, South Carolina, circa 1862. © Timothy H. O’Sullivan | learnnc.org
52:24
November 12, 2021
#31 - A Mesoamérica antes dos europeus, com Eduardo Natalino dos Santos (USP)
No episódio #31 do Hora Americana, conversaremos com o professor da Universidade de São Paulo (USP) Eduardo Natalino dos Santos sobre Mesoamérica antes dos europeus. Imagem do episódio: Códice Telleriano-Remensis.
01:04:49
October 29, 2021
#30 - Liberalismo e reformas liberais na América Latina do século XIX, com Maria Lígia Prado (USP)
No episódio #30 do Hora Americana, conversaremos com a professora emérita da Universidade de São Paulo (USP) Maria Lígia Prado sobre as reformas liberais na América Latina no século XIX.   Imagem do episódio: Fragmento da obra Epopeia do Povo Mexicano (1919-1935) do pintor mexicano Diego Rivera, na escadaria principal do Palácio Nacional, Cidade do México, México.
01:06:28
October 15, 2021
#29 - O chavismo e os impasses da Venezuela bolivariana, com Rafael Araújo (UERJ)
No episódio #29 do Hora Americana, conversaremos com o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Rafael Araújo sobre o chavismo na Venezuela.   Imagem do episódio: Protesto em Caracas, Venezuela, em Julho de 2017. Foto de Fernando Llano/AP.
54:38
October 1, 2021
#28 - Argentina indígena: política, guerra e genocídio, com Gabriel Passetti (UFF)
No episódio #28 do Hora Americana, conversaremos com o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) Gabriel Passetti sobre as campanhas no deserto e o genocídio indígena na Argentina. Imagem do episódio: Cacique Valentín Sayhueque.
01:06:17
September 17, 2021
#27 - Garcia Marquez: literatura, história e memória, com Felipe Vieira (IFSP)
No episódio #27 do Hora Americana, conversaremos com o professor do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) Felipe Vieira sobre o Gabriel García Márquez e o "boom" latino-americano.   Imagem do episódio: Gabriel García Márquez com exemplar de Cem Anos de Solidão na cabeça. Fotografia de Isabel Steva Hernandez (1975).
01:01:18
September 3, 2021
#26 - Revolução Mexicana, com Carlos Alberto Sampaio Barbosa (UNESP)
No episódio #26 do Hora Americana, conversaremos com o professor da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Carlos Alberto Sampaio Barbosa sobre a Revolução Mexicana. Imagem do episódio: Fotografia de Tina Modotti, "Canana, mazorca y hoze" (1927).
01:09:48
August 20, 2021
#25 - O New Deal e a Grande Depressão nos Estados Unidos, com Flávio Limoncic (UNIRIO)
No episódio #25 do Hora Americana, conversaremos com o professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) sobre o New Deal e a Grande Depressão nos Estados Unidos.  Imagem: "Poverty in Great Depression. Family and their five children on the road during the Great Depression. They are walking from Idabel to Krebs, in Oklahoma, USA. The father lost his farm in 1936 after falling sick. He was refused county relief due to residency rules". Fotografia de  Dorothea Lange. Fonte: Science Photo Library | https://bityli.com/2zZdn
58:26
August 6, 2021
#24 - Os indígenas e a política na América do Sul, com Tereza Spyer Dulci (UNILA)
No episódio #24 do Hora Americana, conversaremos com a professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)  Tereza Spyer Dulci sobre os indígenas e a política na América do Sul.  Imagem: Registro fotográfico de uma mulher indígena em Quito, capital do  Equador, durante protesto que aconteceu no país em 2019 contra o governo de Lenín Moreno. Fotografia de David Diaz Arcos/Bloomberg News.
01:01:24
July 16, 2021
#23 - A União Ibérica e as Américas, com José Carlos Vilardaga (UNIFESP)
No episódio #23 do Hora Americana, conversaremos com o professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) José Carlos Vilardaga sobre a União Ibérica e seus impactos nas Américas. Imagem: Aclamação de Amador Bueno por Oscar Pereira da Silva, 1931. Óleo sobre tela. Museu de Arte de São Paulo.
01:05:54
July 2, 2021
#22 - Música popular na América Latina do século XX, com Tânia da Costa Garcia (UNESP)
No episódio #22 do Hora Americana, conversaremos com a professora da Universidade Estadual Paulista (UNESP) Tânia da Costa Garcia sobre a canção latino-americana do século XX. Imagem do Episódio: "Grupo Cuncumen con Allende", início da década de 1970. Disponível em: https://www.revistadefrente.cl/la-nueva-cancion-chilena-el-proyecto-cultural-popular-y-la-campana-presidencial-y-gobierno-de-salvador-allende/
57:23
June 18, 2021
#21 - Eva Perón: cidadania feminina e memória, com Jéssica Melo (USP)
No episódio #21 do Hora Americana, conversaremos com a socióloga e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP) Jéssica Melo sobre a Eva Perón.  Imagem: Mural Eva Perón, de Martin Ron. Arte de rua. Buenos Aires, Argentina.
58:48
June 4, 2021
#20 - Colonização Francesa nas Américas, com Letícia Canelas (USP)
No episódio #20 do Hora Americana, conversaremos com a pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Letícia Canelas sobre a Colonização Francesa nas Américas. Imagem do Episódio: "L'abolition de l'esclavage" de François Biard, 1849. Óleo sobre tela, 260 cm × 392 cm. Palácio de Versalhes, França.
58:40
May 21, 2021
#19 - Operação Condor: o terror transnacional, com Mariana Joffily (UDESC)
No episódio #19 do Hora Americana, conversaremos com a professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UESC) Mariana Joffily sobre Operação Condor.   Imagem do episódio: "In 1976, former Chilean diplomat Orlando Letelier was killed by a car bomb in Sheridan Circle".  Washington, D.C., EUA. Fonte: DCist | https://cutt.ly/XbRXqFy
56:38
May 7, 2021
#18 - A Conquista do Oeste, com Arthur Lima de Avila (UFRGS)
No episódio #18 do Hora Americana, conversaremos com o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Arthur Lima de Avila sobre a Conquista do Oeste. Imagem do episódio: "Men standing with pile of buffalo skulls", Michigan Carbon Works, Rougeville Mich., 1892. Fotografia da Burton Historical Collection, Detroit Public Library.
57:19
April 23, 2021
#17 - Peru: democracia, ditaduras e violência política
No episódio #17 do Hora Americana, conversaremos com a professora Êça Pereira da Silva da Universidade Federal do Tocantins (UFT) sobre a história recente do Peru. Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio: mulher indígena votando, retirada da revista eletrônica Intercambio.
58:22
April 9, 2021
#16 - A Inquisição nas Américas
No episódio #16 do Hora Americana, conversaremos com os professores Yllan de Mattos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Saulo Goulart da Faculdade Cásper Líbero sobre a questão da Inquisição das Américas. Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio:  Pintura Anônima, "Un auto de fe en el pueblo de San Bartolomé Otzolotepec", século XVIII, Museu Nacional de Arte, México.
59:18
March 26, 2021
#15 - Feminismos na América Latina
No episódio #15 do Hora Americana, conversaremos com a professora do Instituto Federal do Paraná (IFPR) Júlia Glaciela da Silva Oliveira sobre a questão dos feminismos na América Latina. Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio: Fotografia de Adriana Lestido, "Madre e hija de Plaza de Mayo" (1982).
01:01:18
March 12, 2021
#14 - A Conquista do México e suas interpretações
Entre 1519 e 1521, a Mesoamérica vivenciou uma série de episódios que se mostraram decisivos para os destinos da história de nosso continente. Durante esses anos, ocorreu, naquela região, a chamada Conquista do México, evento bastante complexo que tem sido ao longo dos anos considerado como um marco fundador dos embates entre indígenas e espanhóis no Novo Mundo e como um dos fatores que abriram caminho para o início da colonização dos ibéricos no futuro Vice-Reino da Nova Espanha. Desde o século XVI, as narrativas sobre a Conquista atribuíam frequentemente protagonismo aos atores espanhóis que vivenciaram esse processo, com destaque especial para Hernán Cortez, apelidado por seus admiradores como o "Conquistador do México". Mesmo nas interpretações construídas desde a Época Moderna, como a leyenda negra, por exemplo, que demonizavam esse episódio, pintado com tintas de profunda violência e mortandade dos indígenas americanos, eram os europeus que ocupavam o centro da narrativa. Nos últimos anos, os historiadores que têm se debruçado sobre os eventos relacionados à Conquista buscam cada vez mais evidenciar as complexidades que a cercaram, com destaque especial às agências indígenas e às contradições, embates e disputas presentes nos arranjos entre os diversos povos que viviam sob México-Tenochtitlán e deles com os espanhóis. Essas interpretações, é importante que se diga, não pretendem desculpar os europeus pela violência promovida e do sangue derramado no início do século XVI, mas evidenciam o papel dos povos indígenas como agentes da História. Tomado no processo de construção dos Estados na América Hispânica no século XIX como um dos momentos fundadores da nacionalidade, a Conquista é hoje também, no âmbito das lutas políticas, símbolo de um massacre em relação às populações indígenas de todo o continente. Quando derrubam as estátuas dos conquistadores em muitos lugares, não é somente contra europeus mortos no século XVI que se protesta, mas contra um Estado que ainda hoje desrespeita os direitos dessas populações. Para responder essas e outras questões convidamos para a entrevista Luiz Estevam de Oliveira Fernandes, professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e especialista em História da América Colonial. Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio: Imagem retirada do Códice Asteca Lienzo de Tlaxcala, compilado por Diego Muñoz de Camargo por volta de 1585.
59:57
December 11, 2020
#13 - Pensando as Independências na América Hispânica
Em 1808, quando as tropas napoleônicas invadiram a península ibérica e fizeram cativo o rei Fernando VII, não era possível prever ainda o impacto de tais eventos sobre o império colonial espanhol nas Américas. Entretanto, cerca de quinze anos depois, os outrora extensos domínios hispânicos no Novo Mundo que, em seu apogeu, chegaram a compreender uma faixa de terra ininterrupta entre a Califórnia e a Patagônia, haviam praticamente concluído, com a exceção das ilhas caribenhas de Cuba e Porto Rico, um processo de rompimento definitivo, em termos políticos, com sua antiga metrópole. Diferentemente do que ocorrera paralelamente na América Portuguesa, em que a transferência da corte dos Bragança, no mesmo contexto das invasões napoleônicas, resultou em uma independência que manteve os antigos territórios lusitanos sob a égide da família real que se instalou no Brasil em 1808, na outrora América Espanhola formaram-se, primeira metade do século XIX, duas dezenas de Estados independentes que adotaram, com efêmeras exceções, a república como forma de governo e que se constituíram como verdadeiros laboratórios políticos da modernidade. Como pensar os processos de independência na América Hispânica? De que forma as interpretações nacionalistas construídas no século XIX impactam ainda hoje a maneira como entendemos esses eventos? Podemos considerá-los como "revoluções"? Como se deu a participação de mulheres, negros, indígenas, mestiços e setores populares de maneira geral no curso desses acontecimentos? Por que, mesmo se constituindo como desdobramentos de um mesmo momento histórico, as emancipações do Brasil e da América Hispânica se apresentam como tão diferentes? Para responder essas e outras questões convidamos para a entrevista Maria Elisa Noronha de Sá, professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), especialista na história das independências da América Hispânica. Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio: Ponte Simón Bolívar, fronteira entre Venezuela e Colômbia. Fonte: Archivo Semana (Colômbia)
58:41
December 10, 2020
#12 - A História da América na sala de aula
No Brasil, de maneira geral, as pessoas pouco sabem sobre a História das Américas. Na maior parte das vezes, aliás, as noções que perpassam o senso comum sobre os demais países do nosso continente estão repletas de estereótipos, preconceitos e juízos de valor. Embora a pesquisa e o ensino de História das Américas tenham avançado e se consolidado de maneira significativa no Ensino Superior nos últimos quarenta anos, a temática ainda é vista, muitas vezes, como secundária no Ensino Básico. Alguns tópicos, em especial por suas relações e aproximações com a História do Brasil, como as colonizações europeias, as independências, os "populismos" e as ditaduras militares, estão presentes, mesmo que de maneira muitas vezes discreta, nos currículos escolares. Ainda assim, não é possível afirmar que a História das Américas tenha deixado de ocupar uma posição de coadjuvante nos Ensinos Fundamental e Médio, nos materiais didáticos voltados a esse público e nos processos seletivos para ingresso no Ensino Superior. Dessa forma, é importante nos perguntarmos: qual a importância de se estudar a História das Américas no Ensino Básico? Desse questionamento central, derivam outros também essenciais: qual o peso desses conteúdos nos livros didáticos de Ensino Básico no Brasil atual? De que forma esses temas aparecem nos vestibulares e no ENEM? Como se deu a discussão sobre a incorporação dessas temáticas nas recentes discussões sobre a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) dos Ensinos Fundamental e Médio? Como o passado do continente americano tem sido abordado em sala de aula? E, por fim, que caminhos o professor pode trilhar para a construção de uma visão mais arejada sobre a História das Américas com seus alunos? Para discutir essas e outras questões, convidamos para a entrevista os professores José Alves de Freitas Neto, professor de História da América e diretor da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), e Marcus Vinícius de Morais, pesquisador de História das Américas e professor de cursinhos pré-vestibular.  Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio: Fotografia de Nacho López (1923-1986), Colección Niños Indígenas, Fototeca Nacho López, Instituto Nacional de los Puebos Indígenas (INPI), México.
01:09:58
November 13, 2020
#11 - Chile: socialismo, neoliberalismo e revolta social
No último domingo, dia 25 de outubro, os chilenos foram às urnas decidir se o país deveria ou não reescrever sua Constituição. Com uma esmagadora maioria de cerca 78% dos votos, a atual Carta, elaborada em 1980, ainda sob a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), foi rechaçada por mais de três quartos da população, explicitando um profundo desejo de mudança. O plebiscito do último domingo pode ser considerado um dos pontos de chegada de um processo muito mais amplo que passa pelas gigantescas manifestações sociais iniciadas em outubro de 2019 e pelo questionamento de estruturas políticas e econômicas estabelecidas de forma autoritária ainda nos anos 1970 e 1980. Laboratório para uma série de experiências políticas, sociais, econômicas e culturais, cujos impactos se fazem sentir ainda hoje, o Chile das últimas décadas é, certamente, um caso que merece atenção.  O país que buscou estabelecer um governo socialista dentro das regras do jogo democrático com a vitória de Salvador Allende e da coalizão de esquerda Unidade Popular nas eleições de 1970, foi o mesmo que, três anos depois, em 11 de setembro de 1973, vivenciou um dos golpes militares mais violentos da América Latina no século XX. Além do autoritarismo político que perdurou pelos 17 anos seguintes, sob o governo do general Pinochet, o Chile foi também uma espécie de laboratório para o neoliberalismo com a atuação dos chamados "Chicago Boys" e com um programa de privatizações que abrangiam não somente as empresas estatais, mas também serviços públicos importantes como a saúde, a educação e a previdência social. Mesmo com o início do processo de redemocratização, em 1990, os dois pilares do regime pinochetista foram mantidos: a Constituição de 1980 e o modelo econômico neoliberal. No limite, foram esses pilares que as manifestações de 2019 vieram questionar e que a nova Constituição a ser escrita nos próximos meses deve tentar superar. Para discutir essas e outras questões, convidamos para a entrevista a professora Carine Dalmás, especialista em história chilena do século XX e professora da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio: Fotografia tirada em 17 de janeiro de 2020, em Santiago, Chile, por Valdir Santos.
01:04:60
October 30, 2020
#10 - Estados Unidos: como 13 colônias inventaram uma República
Em 2020, os Estados Unidos assistirão à 59ª eleição presidencial de sua história. A disputa envolvendo o republicano Donald Trump, que tenta a reeleição, e o democrata Joe Biden, ex-vice de Barack Obama (2008-2016), marcará um ritual que vem sendo experimentado pela república norte-americana desde fins do século XVIII. Podemos dizer, sem exagero, que o contexto eleitoral evoca uma série de símbolos, práticas e instituições que, embora se apresentem hoje como elementos consolidados na vida política daquele país, foram, na realidade, resultados das intensas disputas que se seguiram à Declaração de Independência em 1776. Buscando se distanciar do sistema monárquico predominante na Europa do século XVIII, as antigas 13 colônias britânicas "inventaram", livremente inspirados na Roma Antiga, nas Cidades renascentistas italianas e no período dominado por Oliver Cromwell na Inglaterra do século XVII, uma nova forma de República. Voltar aos primeiros anos dos Estados Unidos da América, nos ajuda a compreender como a criação da figura do Presidente e a elaboração de uma Constituição para servir como diretriz da vida política nacional, que hoje parecem caminhos óbvios, não eram necessariamente assim à época em que foram concebidas. Da mesma forma, a consolidação paulatina de um sistema bipartidário e a eleição do líder do Poder Executivo por meio de um Colégio Eleitoral e não pelo voto direto nos mostram ainda duas facetas da organização republicana daquele país: a busca por uma espécie de moderação conservadora do sistema político e a importância atribuída aos Estados na escolha do líder do poder executivo. É importante ressaltar ainda, o caráter excludente da República norte-americana na maior parte de sua existência. Negros, indígenas e mulheres, por exemplo, foram apartados por muito tempo das instâncias decisórias nos Estados Unidos e, ainda hoje, permanecem lutando por maior participação. Para discutir essas e outras questões, convidamos para a entrevista o professor Marcos Sorrilha Pinheiro, especialista em História dos Estados Unidos e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Franca-SP. Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio: George Caleb Bingham. The County Election. 1852. Óleo sobre tela, 96,5 cm x 132 cm. Saint-Louis, Missouri, Saint Louis Art Museum. 
58:19
October 16, 2020
#9 - Mulheres e relações de gênero na América Latina do século XIX
A História foi, durante muito tempo, escrita quase que exclusivamente pelos homens, para os homens e protagonizada por personagens masculinos. Felizmente, essa realidade tem se transformado nas últimas décadas com o crescimento dos estudos relacionados à História Social das Mulheres e, mais recentemente, à História das Relações de Gênero. Apesar dos avanços conquistados por essas áreas dentro e fora da academia, vivemos, no momento atual, muitas ambivalências quando o assunto é gênero. Se por um lado, nunca foram tantas as teses acadêmicas, artigos e discussões tratando dessas temáticas. Por outro, os ataques em relação aos estudos de gênero, chamados por setores conservadores e reacionários de "ideologia de gênero", se tornam cada dia mais intensos. Nesse contexto de profundos embates, os estudos historiográficos sobre mulheres e relações de gênero têm se mostrado bastante vigorosos. Em particular na História das Américas, têm gerado trabalhos de fôlego e ganhado cada vez mais destaque entre pesquisadoras e pesquisadores da área. O século XIX se apresenta, nesse sentido, como um terreno fértil para aquelas e aqueles que pretendem se aventurar pela História das mulheres e das relações de gênero. Temáticas relacionadas à participação política e à atuação nos mundos do trabalho, das artes e da cultura têm cada vez mais ganhado destaque na historiografia latino-americana. Não se pode esquecer também das discussões sobre interseccionalidade que têm destacado, de maneira bastante instigante, a importância de se considerarem os critérios étnico-raciais e de classe para construção das diferenças de gênero. Para discutir essas e outras questões, convidamos para a entrevista a professora Stella Maris Scatena Franco, especialista em História das Mulheres e das relação de gênero na América Latina e professora da Universidade de São Paulo (USP). Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio: Imagem retirada de La Familia: Periódico Semanal Ilustrado. Buenos Aires, 1878, utilizada como imagem de capa da edição mais recente do relato de viagem "Mis impresiones y mis vicisitudes en mi viaje a Europa", da chilena Maipina de la Barra (Santiago: Cuarto Propio, 2013).
55:06
October 2, 2020
#8 - Jornalismo e liberdade de expressão na América Latina
Em tempos de fake news e ameaças ao trabalho da imprensa não somente no Brasil, mas em diversos países do mundo, refletir sobre o papel do jornalismo em nossas sociedades se constitui como uma questão essencial. Diferentemente de outros momentos da história, como nos regimes ditatoriais do continente entre as décadas de 1960 e 1980, em que a censura e o fechamento de meios de comunicação incômodos aos governos eram comuns, em nossos dias a perseguição a jornalistas e à imprensa, embora não tenha deixado de existir, ganhou outras roupagens. Na América Latina, em particular, países como o Brasil, a Venezuela ou México, por exemplo, mesmo que por motivos diferentes, têm se apresentado como espaços inóspitos para o exercício da liberdade de expressão. No caso mexicano, marcado pela intensa atuação do narcotráfico, especialmente nas regiões de fronteira, o número de jornalistas assassinados, de acordo com a ONG Repórteres sem Fronteiras, chega a ser comparável ao de países em guerra como a Síria. Por outro lado, não deve ser minimizado o papel da imprensa como ator importante no xadrez político do subcontinente. Em diversos países, incluídos aqui o Brasil, em muitos casos, veículos e jornalistas tomam partido de maneira efetiva no jogo do poder, atuando como porta-vozes de projetos políticos específicos. Para discutir essas questões e também os desafios de fazer uma cobertura jornalística séria e abalizada sobre os diversos países da América Latina, convidamos para a entrevista, Sylvia Colombo, jornalista da Folha de São Paulo, formada também em História pela USP. Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio: Fotografia de Sylvain Julienne no contexto do Golpe de Estado ocorrido, no Chile, em 1973. Nela, o jornalista Ches Garretsen e um "carabinero" (policial) se encaram com desconfiança.
01:09:22
September 18, 2020
#7 - Guerra às drogas, proibicionismo e narcotráfico nas Américas
O uso de drogas foi sempre algo cotidiano na História. O consumo de bebidas alcoólicas, estimulantes naturais e plantas alucinógenas está presente, de alguma forma, em todas as sociedades humanas ao longo do tempo. É curioso pensar que foi apenas no século XIX que começaram a surgir no Ocidente, campanhas mais incisivas contra tais substâncias. Da Lei Seca, no início do século XX, à "Guerra às Drogas", iniciada em fins da década de 1960, os Estados Unidos ocupam papel de destaque na defesa de políticas proibicionistas. Em ambos os casos, o combate ao que se julgava uma espécie de "doença social" resultou em sintomas muito mais sérios: No primeiro, o crescimento do consumo ilegal e o fortalecimento da máfia; no segundo, a explosão das atividades do narcotráfico, em particular na América Latina. Países como a Colômbia e o México se tornaram, em processos mais recentes, importantes produtores e fornecedores de drogas para os Estados Unidos, que, mesmo com as proibições, permanece sendo o maior mercado consumidor do mundo. Questão muito mais complexa do que querem nos fazer crer os programas policiais de televisão, o proibicionismo apresenta uma série de contradições e dilemas de ordem social e étnico-racial, contribuindo, muitas vezes, para o encarceramento em massa de pobres, negros, indígenas e mestiços e produzindo mesmo um verdadeiro ambiente de guerra em diversos países nas Américas, incluídos aqui os Estados Unidos e o Brasil. Para discutir essas e outras questões, convidamos para a entrevista Thiago Rodrigues, especialista em políticas sobre drogas nas Américas e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF). Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio: Fotografia tirada na Colômbia, em 1996, pelo fotógrafo britânico Tom Stoddart (Getty Images).
57:27
September 4, 2020
#6 - Muito além da Mafalda: quadrinhos, humor e repressão na América Latina
É possível dizer que até hoje o humor é considerado por muitos como algo menor, supérfluo, simples distração diante das questões sérias da vida.  Quando se trata de humor gráfico e quadrinhos, em particular, alguns tendem a fazer uma associação direta entre esse tipo de produção e o mero entretenimento banal, sem grande profundidade e voltado apenas para um público infanto-juvenil. Entretanto, qualquer pessoa que se debruce com um pouco mais de atenção e cuidado sobre o mundo das HQs, das tirinhas e caricaturas é capaz de perceber sua dimensão política e seu caráter muitas vezes transgressor. Em regimes autoritários, é muito comum que os humoristas sejam alvos preferenciais da censura e da repressão por tratarem questões políticas de forma irreverente e, em alguns casos, bastante crítica.   Acostumados aos heróis norte-americanos como Capitão América, Batman ou Superman, ou mesmo envolvidos pelos personagens de Walt Disney, nós brasileiros conhecemos muito pouco o humor gráfico produzido pelos nossos vizinhos hispano-americanos e suas múltiplas facetas. Talvez com uma honrosa exceção: Mafalda, personagem criada pelo cartunista argentino Quino, bastante recorrente nos livros didáticos e atualmente nas redes sociais. Apesar da beleza e contundência das tirinhas de Mafalda, o humor gráfico latino-americano vai além em muitos sentidos. Utilizado para questionar representações norte-americanas sobre os nossos países do Sul, como o caso do chileno Condorito, na década de 1940, ou para criticar, muitas vezes de forma sutil, governos autoritários, o humor gráfico pode ser tomado como uma das possibilidades, uma espécie de outra face da moeda talvez, para se compreender as sociedades em perspectiva histórica. Para discutir essas e outras questões, convidamos para a entrevista Priscila Pereira, especialista em humor gráfico latino-americano e professora do Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IF Sul de Minas). Esperamos que aproveitem a entrevista e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do episódio: A imagem que acompanha o episódio é uma criação do cartunista argentino Roberto Fontanarrosa. Nela, estão o "gaucho" Inodoro Pereyra e seu cachorro e companheiro Mendieta dividindo um mate. Fonte: FONTANARROSA, Roberto. 20 años con Inodoro Pereyra. 6 ed. Buenos Aires: Edicciones de la Flor, 2003, p. 9.
49:21
August 21, 2020
#5 - As Guianas: nossos vizinhos desconhecidos
Se nós, brasileiros, conhecemos muito pouco a História de nossos vizinhos hispano-americanos, é certo que desconhecemos ainda mais qualquer coisa que se relacione às Guianas. Diferentemente dos países falantes do espanhol que nos cercam, cujo passado está repleto de paralelismos com o Brasil, a região das Guianas se constitui como uma verdadeira incógnita, mesmo para os especialistas em História das Américas. Visitados, no século XVI, pelo corsário britânico Walter Raleigh, que buscava ali o mítico Eldorado, esses territórios começaram a ser ocupados no século XVII por franceses e holandeses. Em fins do século XVIII, os ingleses também se estabeleceram na região. Com uma geografia ao mesmo tempo amazônica e caribenha, não tão favorável economicamente, do ponto de vista europeu, como outros espaços do Novo Mundo, se constituiu como uma região periférica de exploração colonial. Em termos raciais, é uma das mais diversas das Américas com a presença não somente de populações de origem indígena, africana e europeia, mas também de diversos grupos étnicos oriundos da Ásia como indianos e indonésios. Com uma história mais próxima das Antilhas que da América do Sul, as Guianas não se tornaram independentes no século XIX. As antigas Guianas Inglesa e Holandesa, hoje respectivamente Guiana e Suriname alcançaram a emancipação somente na segunda metade do século XX. A Guiana Francesa não vivenciou esse processo, constituindo-se ainda hoje como uma coletividade francesa no ultramar, vinculada à Paris e pertencente à Zona do Euro. A parte francesa das Guianas é, sem dúvida, a que guarda o maior número de relações com o Brasil. Desde que D. João VI invadiu a região em 1809, a fronteira foi alvo de disputas, sendo contestada por franceses e brasileiros até 1900. Hoje, muitos brasileiros, alguns de forma ilegal, buscam na Guiana Francesa melhores condições de vida e um salário em Euro, em especial diante da desvalorização do Real nos últimos anos. Para discutir essas e outras questões, entrevistamos o historiador Iuri Cavlak, professor da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), especialista na História das Guianas. Desejamos a todos que aproveitem a entrevista! Ajudem-nos na divulgação e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do Episódio: Manifestação ocorrida em 01 de dezembro de 1975, dias após a efetivação da emancipação do Suriname em 25 de novembro do mesmo ano. Créditos: Bert Verhoeff, 01/12/1975, Nationaal Archief (Suriname).
51:04
August 7, 2020
#4 - Fascismo e Antifascismo na História das Américas
Para muitos, quando as forças aliadas derrotaram o Eixo, pondo fim à Segunda Guerra Mundial em 1945, assistiu-se a derrota definitiva do Fascismo em escala global. Mesmo que países europeus como Portugal e Espanha ainda vivenciassem regimes autoritários, outrora simpáticos às políticas de Hitler e Mussolini, e que, nas Américas, algumas expressões fascistas pudessem ser notadas em práticas sociais e políticas de Estado, considerava-se que o monstro estava controlado e não representava mais um grande perigo. Qual não foi a surpresa, quando, após a eclosão da crise econômica de 2008, o modelo neoliberal passou a ser questionado não mais pela esquerda, como era de praxe até então, mas por grupos autoritários, xenófobos, racistas e misóginos, ancorados por um discurso nacionalista e violento, muitas vezes circundado por aspectos religiosos. As práticas de vários desses grupos e a ascensão de muitos líderes com essas características em países como a Hungria, as Filipinas, a Índia, os Estados Unidos e o Brasil levantaram a questão: estamos falando no retorno do fascismo? Da mesma forma, na esteira da crítica a esse novo modelo de atuação encontrado pela extrema-direita em todo o mundo, movimentos de oposição também vêm procurando seu tom. Embora renovados pelas pautas exigidas pelas demandas do século XXI, ao reconhecer o fascismo como o mau que deve ser combatido em nossos tempos, esses grupos têm retomado, literalmente, a bandeira do Antifascismo. Ressignificados, nos dias atuais, Fascismo e Antifascismo têm uma longa história não somente em países comumente associados a esses processos como Itália e Alemanha, mas também encontrando forte ressonância nas Américas. Em meio à crise do liberalismo vivenciada pelo Ocidente na década de 1930, diversos governos latino-americanos buscaram inspiração nas práticas fascistas para imporem sobre seus países projetos autoritários. A Alemanha nazista, a Itália fascista e a Espanha franquista serviram de inspiração, nesses países, não somente a imigrantes, mas a muitos nativos que partilhavam dessas ideias. Muitos não sabem, mas Buenos Aires foi palco do maior evento nazista fora da Europa, quando milhares de pessoas se reuniram, no estádio Luna Park, para demonstrar apoio ao Führer em 1938, no contexto da anexação da Áustria ao Reich. Da mesma forma, grupos de oposição, não necessariamente de esquerda, encontraram no antifascismo a bandeira comum para lutarem contra regimes autoritários. Para esses grupos, a luta entre Republicanos e Falangistas na Guerra Civil Espanhola (1936-1939) serviu de elemento aglutinador na luta antifascista, unindo militantes, sindicalistas, políticos, intelectuais, artistas e tantos outros grupos dos dois lados do Atlântico a essa causa comum. Após o fim do conflito que culminou com a vitória de Francisco Franco e do fascismo na Espanha, muitos exilados vieram à América Latina, contribuindo para a formação de uma grande rede antifascista transnacional. Para discutir essas e outras questões, entrevistamos a historiadora Ângela Meirelles de Oliveira, professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), especialista nas redes antifascistas no Cone Sul na década de 1930. Desejamos a todos que aproveitem a entrevista! Ajudem-nos na divulgação e nos sigam em nossas redes sociais. Imagem do Episódio: Manifestação antifascista, ocorrida em Montevidéu, em 20 de dezembro de 1938, Disponível no livro VVAA. Voluntarios de la libertad. Las Brigadas Internacionales. Castilla-La Mancha: Consejería de Educación y Cultura y Asociación de Amigos de las Brigadas Internacionales, 1999. Disponível em: https://www.hemisferioizquierdo.uy. Acesso em 22/07/2020.
51:50
July 24, 2020
#3 - Paraguai: estereótipos, guerras e pontes
Em 2020, completam-se 150 anos do fim do maior conflito armado da história da América do Sul: a Guerra do Paraguai. Entre 1864 e 1870, a Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai enfrentou os paraguaios liderados pelo general Solano López em uma disputa que impactou a história de todos os países envolvidos, deixando, de forma ainda mais evidente, marcas indeléveis na história do Paraguai. Embora os dados levantados pelos historiadores possam divergir, é certo que mais da metade da população daquele país tenha perecido em meio aos combates. Muitas interpretações já foram oferecidas para a compreensão das motivações e consequências do enfrentamento bélico e muitas apropriações foram feitas dessa trágica história. Na historiografia, já se explicou esse conflito como uma expressão do imperialismo britânico em sua tentativa de sufocar a jovem e autônoma nação paraguaia. Mais recentemente o foco tem recaído sobre as relações geopolíticas inerentes à formação dos Estados na bacia do Rio da Prata. No campo político, uma interpretação nacionalista da guerra serviu para legitimar uma das ditaduras mais duradouras da América Latina no século XX: o governo de Alfredo Stroessner (1954-1989). Ironicamente, ao mesmo tempo em que o stroessnismo fazia da jornada de Solano López e seus soldados uma espécie de epopeia da nação, também fazia do Brasil, seu algoz no século XIX, o parceiro privilegiado de sua política externa e de sua economia. O grande símbolo desse processo, nem sempre pacífico, foi a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, empreendimento capaz de provocar até hoje ruídos na relação entre os dois países. Infelizmente, desde os processos de formação dos Estados nacionais no século XIX, o Paraguai se tornou no imaginário dos brasileiros uma espécie de micro-cosmo da suposta "barbárie" hispano-americana, resultando na produção uma série de estereótipos que têm se perpetuado desde então. Além de imagens recorrentes que também são atribuídas a outros de nossos vizinhos como a fragilidade das instituições democráticas, a anarquia política e a tendência ao autoritarismo, no Brasil, "paraguaio" também significa pejorativamente algo falso e de qualidade inferior. Para desconstruir esses estereótipos e tentar construir pontes entre as histórias do Paraguai e do Brasil, convidamos, para o Episódio #3 do podcast Hora Americana, o professor da Universidade Federal da Integração Latino-americana (Unila) Paulo Renato Silva, especialista na História do Paraguai. Desejamos a todos que aproveitem a entrevista! Ajudem-nos na divulgação e nos sigam em nossas redes sociais: Facebook.com/horaamericana Instagram.com/horaamericana Twitter.com/HoraAmericana Youtube.com/channel/UCPoM_XDCjSDrbT-rXm3WmmQ Imagem do Episódio: Na imagem, o Parque Nacional de Sete Quedas, pouco tempo antes de seu fechamento e posterior alagamento em 1982, no contexto da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Créditos: Antônio Carlos Piccino, 22/09/1982, Agência O Globo.
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July 10, 2020
#2 - As epidemias na América Colonial e seus impactos sobre as populações indígenas
Desde os primeiros tempos da humanidade na Terra, os seres humanos tiveram que lidar com inúmeros obstáculos para sua sobrevivência. Uma das principais ameças que vem colocando, há milênios, a vida de sociedades inteiras em risco não é, entretanto, algo que possa ser visto a olho nu. Moléstias dos mais variados tipos, causadas por vírus, bactérias, parasitas, fungos, entre outros micro-organismos, vem provocando, em diversos momentos da história, períodos de intenso sofrimento e mortandade. Hoje, mais uma vez, é uma doença, causada por um vírus até então desconhecido, que tem provocado profundas transformações em várias esferas de nossas vidas. O novo coronavírus se espalhou de forma incontrolável por todo o mundo e tem levado a uma reflexão sobre o impacto que as enfermidades podem ter sobre as diversas sociedades humanas ao longo da história. Na História da América, as doenças e epidemias  estiveram presentes em variados contextos. Embora a arqueologia aponte para a existência de inúmeras moléstias na América pré-hispânica, é com a chegada dos europeus em 1492 que a situação se torna mais crítica.  Não bastassem os enfrentamentos militares, a fome, a escravização e a adoção de outras formas de trabalho compulsório, apenas para citar alguns dos motivos que provocaram um grande decréscimo das populações indígenas no século XVI, as epidemias são frequentemente apontadas pelos historiadores como uma das peças fundamentais para se compreender a vitória dos europeus no processo de Conquista da América. Por não possuírem anticorpos em relação a diversas moléstias originárias do Velho Mundo, como sarampo, cólera, varíola, entre outras, muitos indígenas não resistiram a esses inimigos invisíveis, sucumbindo não somente à espada dos espanhóis, mas também aos germes que vinham em seus navios. Além de contribuírem para o genocídio das populações indígenas da América, as doenças foram utilizadas, muitas vezes, para construir, no campo do discurso, imagens das populações autóctones como portadoras de corpos inferiores, mais sensíveis que os de europeus e africanos. O resultado disso é, ainda hoje, o estereótipo, infelizmente ainda bastante presente no senso comum, do índio frágil, preguiçoso, improdutivo e avesso ao trabalho. Para discutir essas e outras questões, convidamos para episódio #2 do podcast Hora Americana, o professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) Alexandre Varella, especialista em História da América Colonial. Desejamos a todos que aproveitem a entrevista! Ajudem-nos na divulgação e nos sigam em nossas redes sociais: Facebook.com/horaamericana  Instagram.com/horaamericana  Twitter.com/HoraAmericana  Youtube.com/channel/UCPoM_XDCjSDrbT-rXm3WmmQ Imagem do Episódio: A imagem escolhida para representar este segundo episódio do podcast Hora Americana foi retirada de um dos mais importantes códices astecas, o chamado Códice Florentino, compilado no século XVI, pelo frei Bernardino de Sahagún, e publicado em doze volumes intitulados História general de las cosas de la Nueva España.  Na ilustração, o impacto produzido pela epidemia de viruela (varíola) que atingiu os astecas em 1520, após a chegada de Hernán Cortez e dos espanhóis a Tenochtitlan, atual Cidade do México.
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June 26, 2020
#1 - Os negros na história política dos Estados Unidos
Em tempos de #blacklivesmatter e de uma série de protestos envolvendo a questão do racismo nos Estados Unidos, se faz urgente e necessária uma profunda discussão sobre a História da participação dos negros na política norte-americana. Reforçada no século XIX com a ampliação da produção de algodão pelos Estados do Sul para venda no mercado internacional, a escravidão esteve no centro do maior conflito armado ocorrido no interior dos Estados Unidos, a Guerra Civil ou Guerra de Secessão (1861-1865). A vitória da União nesse confronto bélico, resultou na aprovação da 13ª emenda à Constituição norte-americana, garantindo a abolição da escravidão. Entretanto, o fim do cativeiro não resultou necessariamente em uma incorporação efetiva em termos políticos, econômicos e sociais das populações negras no período seguinte, a chamada Reconstrução. Para evitar uma maior participação desses grupos na política norte-americana, leis segregacionistas (também conhecidas como Leis Jim Crow) foram aprovadas em diversos Estados, em especial do Sul dos Estados Unidos. Muitas das quais, revogadas somente na segunda metade do século XX com as lutas em favor dos Direitos Civis. Embora a presença dos negros na política dos Estados Unidos tenha crescido nas últimas décadas, inclusive com a eleição recente de um presidente afro-americano, Barack Obama (2008-2016), as tensões raciais, como os eventos recentes demonstram, ainda se mantem de forma muito evidente na sociedade norte-americana. Para discutir essas e outras questões, o podcast Hora Americana tem o prazer de convidar para sua primeira entrevista o professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Flávio Thales Ribeiro Francisco, especialista na história dos negros na política norte-americana. Desejamos a todos que aproveitem a entrevista! Ajudem-nos na divulgação e nos sigam em nossas redes sociais: Facebook.com/horaamericana Instagram.com/horaamericana Twitter.com/HoraAmericana Youtube.com/channel/UCPoM_XDCjSDrbT-rXm3WmmQ Imagem do Episódio: A imagem utilizada como emblema desse primeiro episódio foi captada pelo fotógrafo afro-americano Don Hogan Charles, em Newark, no Estado de Nova Jersey, em 14 de julho de 1967, e publicada posteriormente pelo New York Times. Em primeiro plano, um garoto negro com as mãos para o alto é seguido por uma tropa armada da Guarda Nacional, convocada para debelar uma manifestação que ocorria no local. A fotografia produz um grande impacto por contrastar as forças repressivas do Estado e a população civil, majoritariamente negra e pobre. Além de um documento histórico de grande valor, é uma imagem que não perdeu sua contundência na denúncia das desigualdades raciais existentes ainda hoje nos Estados Unidos.
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June 12, 2020