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By Podcast Archai
Podcast da Cátedra UNESCO Archai sobre as Origens Plurais do Pensamento Ocidental - Universidade de Brasília
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45. Sócrates
Roberto Bolzani Filho (USP) narra sua trajetória acadêmica que começou em casa, na Biblioteca do pai. Após ler livros de Filosofia e verbetes sobre filósofos nas famosas Enciclopédias daquele tempo, cursou Filosofia, fez pós-graduações e tornou-se professor: tudo isto na USP. Orientado por Oswaldo Porchat pesquisou o Ceticismo e Sexto Empírico; posteriormente o Ceticismo na Academia Platônica. A partir da obra Academica de Cícero, demonstra uma ligação teórica entre estes céticos da Academia e a figura socrática. Com muita propriedade, Bolzani nos mostra neste episódio Sócrates como paradigma filosófico. Nos apresenta o espírito da filosofia socrática e platônica. Explica o problema do Sócrates histórico e o fato de ele ser personagem de três grandes fontes: Aristófanes, Platão e Xenofonte. Ressalta que é mais fácil responder quem foi o Sócrates de Platão; o Sócrates de Aristófanes e  o Sócrates de Xenofonte, que não são completamente compatíveis entre si. Em seguida, destaca a Poética de Aristóteles na qual os Socratikoi Logoi aparecem como exemplo de Mímesis: não é realidade nem ficção. São imitações que visam a verossimilhança e não a verdade. Fala também sobre como as concepções de sábio e sabedoria, o ethos heróico socrático e a filosofia como estilo de vida - ligação visceral entre prática e teoria - tornam Sócrates um paradigma/modelo para a Filosofia. Sócrates influenciou várias correntes filosóficas. As chamadas famílias socráticas: Platão; Aristóteles; Cirenaicos; Megáricos; Estóicos; Epicuristas... Todos encontraram em Sócrates um núcleo inspirador. Por fim, Roberto Bolzani comenta ainda sobre livros didáticos e o ensino de Filosofia nas Escolas. Imperdível!
48:10
October 22, 2021
44. Medeia
Maria Regina Cândido (UERJ) começou sua trajetória na Engenharia, depois Matemática, mas foi uma palestra da professora Neyde Theml de História que mudou tudo. Cursar História era no começo uma questão de busca da identidade enquanto estudava a negritude. Regina iniciou o curso de História para falar de escravidão e terminou perdidamente apaixonada pelo teatro de Eurípides, Medeia, Magia e agora, Katádesmos. Regina comenta os desafios de ser negra, o apoio que recebeu da orientadora Neyde Theml e destaca que é preciso ter conhecimento para quando estiver diante de um desafio, responder à altura e enfrentá-lo. Regina conta ainda como conheceu Jean Pierre Vernant ao buscá-lo no aeroporto para um evento: o trajeto do aeroporto para a Universidade, apesar de curto, foi infinito. Na segunda parte do podcast, Maria Regina nos traz a Medeia, uma narrativa mítica, com variantes: são muitos autores e uma vasta documentação.  Embora a versão mais conhecida seja a de Eurípides, Regina nos conta outra vertente mais antiga, e ressalta que muitas podem não ter chegado aos nossos dias. Comenta ainda sobre as imagens iconográficas: Medeia, o caldeirão e o carneiro, como cura. O interesse em pesquisar ritual e magia começou com este mito. Sempre incomodou Maria Regina a simplificação do senso comum: "Medeia matou os filhos". Ela nos mostra como como a questão da Magia, os rituais estão presentes neste mito, mas que somente no original é possível perceber, daí a importância do grego. Quando Medeia pede que saiam é para que seja feito um ritual, a tentativa de transformar as crianças em divindades. E foi assim que Maria Regina encontrou Katádesmos, o não dito que aparece mais tarde em Platão. Por fim, em uma conversa muito despojada, nos traz a recepção da Medeia Romana, a relação com a imagem comprada por César e os epigramas. Agora, com quase mais de 100 Katádesmos para traduzir, Maria Regina Cândido nos brinda neste episódio do podcast Archai, com suas histórias de vida, com Medeia e muito ânimo para os Estudos Clássicos.
51:37
October 15, 2021
43. Hécuba
Tereza Virgínia (UFMG) é professora do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Minas Gerais e diretora de tradução da Trupersa - Trupe de Tradução e Encenação de Teatro Antigo, uma experiência que resultou na publicação de três livros - Medeia, Electra e Orestes) e em diferentes encenações. Outro importante campo de sua atuação é a sua tradução “por imagens”, ou intersemiótica, das épicas de Homero para os quadrinhos. Neste episódio, Tereza Virgínia conta como foi, na verdade, um erro de matrícula que a levou para os Estudos Clássicos e como nunca se considerou uma classicista típica. O amor pelo teatro surgiu na infância, quando assistia a espetáculos na cidade de Congonhas, no interior de Minas Gerais, e sua incursão na carreira de atriz foi breve, tendo preferido se dedicar aos estudos teatrais. Foi igualmente na infância que surgiu o fascínio pelas histórias em quadrinhos, que lia às escondidas da vigilância do irmão. Hécuba foi uma rainha troiana, esposa de Príamo e mãe do herói Heitor, morto às mãos de Aquiles na guerra de Troia. Seu trágico destino após a tomada da cidadela troiana pelos gregos foi imortalizado nos versos da tragédia Hécuba, de Eurípides, em que Hécuba figura como protagonista e, juntamente com as demais cativas troianas, vinga o assassinato de seu filho Polidoro.
37:09
October 13, 2021
42. Estácio
Leni Ribeiro Leite é Professora do Departamento de letras clássicas e moderna da Universidade de Kentucky. Graduada em Letras pela UERJ, mestra e doutora em Letras pela UFRJ. Neste episódio, Leni nos conta o começo de sua trajetória como professora na UFES, da proposta desafiadora para lecionar na Universidade Kentucky, das experiências de lecionar nos Estados Unidos e diferenças culturais e acadêmicas. O interesse pelo latim a fez desenvolver uma metodologia local para a aprendizagem da língua, ou seja, um estudo que necessitava ser compreendido a partir da realidade do estudante.   Estácio foi um poeta da Roma antiga. Nascido por volta de 45 EC, descendente de gregos, viveu grande parte de sua vida durante a dinastia flaviana. Na juventude, Estácio se destacou na poesia, vencendo diversos concursos. Sua poesia tem fortes traços encomiásticos, ou seja, uma poesia por encomenda, geralmente com a finalidade de enaltecer ou de louvor a alguém.
49:47
October 1, 2021
41. Petrônio
Renata Garraffoni (UFPR) é professora do departamento de História. Graduada, mestra e doutora em História pela UNICAMP, neste episódio Renata fala sobre o interesse pelas sátiras romanas despertado no início de sua trajetória como pesquisadora, estimulada pelas aulas do Professor Pedro Paulo Funari. Seu primeiro contato com a personagem de hoje, Petrônio, foi através da obra Satíricon, traduzida pelo poeta curitibano Paulo Leminski. Petrônio foi um membro da corte de Nero, que teria escrito a obra Satíricon, por volta do séc I EC. Pouco se sabe sobre este autor, nem mesmo se ele escreveu o Satiricon. Renata articula várias narrativas a respeito da misteriosa existência de Petrônio e como a obra deixada por ele ridiculariza os costumes romanos. Descrita como ficção em prosa, entretanto são encontrados da obra diversos trechos escritos em versos, o que faz com que o Satiricon seja enquadrado como uma satira menipéia, ou seja, em que existe uma liberdade de composição e uma mistura de gênero. Instagram:  @antigaseconexoes
01:00:20
September 24, 2021
40. Isócrates
Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio (FEUSP) graduou-se em Filosofia pela USP. Durante sua trajetória no mestrado apresentou seu projeto a professora Gilda Maciel de Barros que realizava pesquisas em Filosofia Antiga e Educação. Marcos lembra, comicamente, que a professora certa vez insinuou “teu projeto é muito ruim mas você tem potencial”.  O interesse por Isócrates nasce por um completo acaso, de uma ligação recebida por uma tia que o perguntou quem era um tal Isócrates, para uma disciplina de sua especialização. Marcos, que não imaginava que disso iria iniciar uma longa jornada com esse tal Isócrates, respondeu: 'Não tia, não é Isócrates é Socrates”.  Nas aulas da disciplina do Professor Roque Spencer Maciel de Barros, Marcos tem finalmente a chance de responder à pergunta da tia sobre quem foi Isócrates.  O professor, atento à pergunta, dá a ele um capítulo de livro sobre Isócrates. Inicia aí, o estudo de Marcos sobre o orador e retórico ateniense, muito conhecido por ser o “Pai da retórica”, já que foi o primeiro a escrever discursos.  Isócrates se coloca como um adversário de Platão, Aristóteles, além de outros mestres da educação. Logógrafo e Professor, Isócrates escreveu o texto intitulado: “Contra os Sofistas”,  em que apresenta a superioridade de seu método pedagógico em relação ao que os outros métodos vigentes.
33:50
September 17, 2021
39. Górgias
Maria Aparecida de Paiva Montenegro (UFC) inicia sua vida acadêmica no curso de Psicologia, no entanto, nos primeiros períodos do curso, um arrebatamento pela Filosofia a toma, a ponto de mudar sua trajetória. Filha de professor universitário, seu pai aconselha a finalizar o curso de Psicologia para depois percorrer outros caminhos pela pós-graduação. Inicia o mestrado em Psicologia Clínica pela PUC - Campinas (1990), posteriormente ingressa no doutorado em Filosofia pela UNICAMP (1999), estágio pós-doutoral em Filosofia Antiga na University of Notre Dame (2003-2004) e pós-doutorado em Filosofia na Università degli Studi di Milano (2011).  Nos estudos de Cida, a linguagem na Psicanálise desempenha um papel fundamental, inclusive na persuasão. Tratar a relação analista/paciente a conduziu num aprofundamento em suas pesquisas, que segundo suas próprias palavras: “se atentou para esse aspecto singular das experiências humanas”, ponto crucial que a motivou a se dedicar à personagem Górgias.  Cida fala de Górgias, originário de Leontinos, colônia grega na Sicília. Nascido em  480 a.c, séc V. oriundo de uma família abastada. Górgias obteve vasta popularidade por seu estilo de oratória. Era embaixador na sua cidade e fez diversas visitas a Atenas, para pedir ajuda contra Siracusa, dado que o povo de Siracusa queria invadir Leontinos. Bem sucedido em sua missão, Górgias logo depois teria vivido em Atenas e influenciado figuras como Alcibíades e Crítias.   Atualmente, Cida é  professora da Universidade Federal do Ceará, onde trabalha desde 2001. Nessa instituição, foi chefe do Departamento de Filosofia (2003-2006), coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Filosofia (2006-2008).
39:35
September 10, 2021
38. Símaco
Carlos Augusto Ribeiro Machado (University of St Andrews) nos conta sobre sua trajetória acadêmica que se inicia cursando Administração de empresas a noite na UFRJ, pra acalmar os ânimos da família, e História na parte da manhã na UFF. A paixão por história prevaleceu fazendo com que Administração de Empresas fosse jogada para escanteio. No mestrado em História Econômica na USP, estudou a aristocracia senatorial romana no Baixo Império período que estimulou seu interesse por história material e arqueologia no doutorado em História Antiga na Universidade de Oxford (2006), experimentou um pouco da tradicional vida num college. Tempos depois, fez um curso sobre Arqueologia de Roma na British School at Rome. Símaco, personagem não muito conhecida entre estudiosos do mundo clássico, sempre esteve presente nos estudos de Carlos. Quinto Aurelio Símaco foi um senador romano que viveu no final do séc IV. No desenrolar da ascensão política e econômica da Igreja católica, Símaco não só assiste, bem como participa intensamente dessa conjuntura, como prefeito de Roma inclusive, num cenário enigmático e cheio de peripécias, nossa personagem, um pagão pragmático, afirma que “mais de um caminho pode nos levar à verdade”, sua obra tive papel muito importante na preservação da cultura clássica. Twitter: @amianomarcelino
34:29
September 3, 2021
37. Zeus
Lilian de Angelo Laky (USP) se graduou em História pela PUC-SP com pós graduação em Arqueologia pela USP. Sonhara em ser arqueóloga na adolescência, mas pelos caminhos contingentes da vida acabou caindo na graduação em História, que felizmente a possibilitou de retomar o sonho antigo da arqueologia. Durante a graduação realizou estágio no MAE-USP, onde teve a possibilidade de conhecer a Professora Maria Beatriz Florenzano, que iria acompanhar (como orientadora) toda sua trajetória como pesquisadora. No decorrer de sua pesquisa de doutorado, em 2014, realizou estágio de pesquisa na Universidade de Thessaloniki, na Grécia, sob supervisão da Professora Aliki Moustaka, e na Escola Britânica de Atenas, da qual foi membro, com a bolsa BEPE/FAPESP de doutorado. Em 2018 ganhou o Prêmio Tese Destaque USP - melhor tese da grande área ciências humanas. Podemos encontrar a pesquisa de Lilian em seu mais recente livro: "Zeus e a cidade na Grécia Antiga, moedas e santuários, política e identidade, nas épocas arcaicas e clássica", publicado pela editora Odysseus.
41:01
August 27, 2021
36. Plauto
Carol Martins da Rocha (UFJF) estudou na UNICAMP meio por acaso, queria fazer psicologia, mas acabou nas Letras. E seguiu toda a Pós-Graduação na UNICAMP, se apaixonando pelo latim nas aulas de Paulo Vasconcellos. Tem se dedicado bastante ao tema do gênero, um pouco por acaso também: escolheu uma peça de Plauto da qual não havia tradução para o português no Brasil na qual as questões da sexualidade e do gênero são preponderantes. A temática de gênero nos últimos anos tem sido um dos temas muito discutidos e ajuda na busca de uma desconstrução deste ideal elitizado e europeizado de Grécia e Roma. Carol fala de Plauto, um comediógrafo antigo de cuja biografia qual não sabemos muito. Produziu 21 comédias, que fizeram muito sucesso em vida. As comédias de Plauto tem sempre cidadãos comuns como personagens e não pessoas famosas na cidade. A recepção do texto de Plauto tem uma longa história e um pouco mais recentemente é que se trouxe mais este aspecto da representação mais à tona: após uma abordagem mais textual no séc. XIX, os estudos se concentraram no fato de serem textos que foram escritos para serem representados. Esta característica do texto é muito importante no momento de sua tradução para as línguas modernas: o texto tem o ritmo da representação teatral? A escolha de traduzir um texto originalmente em versos para prosa é parte desta discussão. De toda forma, traduzir a comédia é um pouco ingrato, porque a piada envelhece rápido.
36:07
August 20, 2021
35. Erasmo, de Rotterdam
Elaine Cristine Sartorelli (USP) teve uma trajetória não linear, sempre quis estudar línguas e literatura, estudou russo por muitos anos, ficou em Moscou por um ano e na volta decidiu estudar um autor do século XVI, Miguel Servet, queimado vivo junto com o livro dele, e para isso iniciou a estudar latim na USP. Está apaixonada pela literatura e pela retórica do século XVI, que foi um momento de ruptura com o aristotelismo escolástico, realizada pela filologia e a retórica.A maior paixão de Elaine é o Palmeiras! O futebol é a identidade e o centro da agenda da vida dela, porque o futebol é uma metáfora da vida. Erasmo e sua trajetória tem muito a ver com o nascimento da imprensa. Os autores da Antiguidade que não editou, e editou muitos, ele acabou mesmo assim propagandeando. Escreveu um livro "Contra os bárbaros" como uma primeira defesa dos estudos clássicos e humanísticos. Traduziu Plutarco, Aristóteles, Luciano; foi o primeiro a colocar o texto grego em colunas; e tudo isso em um mundo em que, graças às imprensa, o conhecimento voltou a circular mais rápida e livremente. Escreveu diálogos filosóficos, sátiras, manuais, epístolas, parábolas etc. Erasmo foi sempre o grande campeão da língua latina como lingua viva e franca porque acreditava poder unir a Europa por meio de uma civilização que unisse o melhor da tradição cristã com aquela greco-romana. É um grande socrático do século XVI que combate os sofista de seu tempo. Acredita que o discurso é o espelho revelador do coração de quem fala.
42:55
August 13, 2021
34. Tucídides
Sandra Rocha (UnB) sempre trabalhou e estudou e a ideia foi sempre a de ser professora de português. Mas acabou se apaixonando pelo grego por causa da professora Maria da Glória Nogueira. Com 25 anos foi ser professora auxiliar na Universidade de Brasília. Que coragem essa menina! Ficou logo encantada com os eixos e as extensões, e a luz de Brasília. E a Universidade, como o lago ao fundo. Já na UnB como professora auxiliar. Acabou fazendo mestrado já sendo professora e sem licença. Sandra conta de seu doutorado na Universidade de Londres e da fundação do grupo Rhetor. E de Tucídides, historiador ateniense do século V aEC. A família era originária da Trácia e provavelmente parente de Simon, outra personagem importante para o fortalecimento de Atenas. Admirador de Péricles, Tucídides escreve a história da guerra entre Atenas e Esparta enquanto participa ativamente e sofre uma derrota em Anfípolis. É exilado e fica 20 anos em exílio, onde se diz que teria começar a escrever sua história. Tucídides demostra ter um interesse para além da narração histórica, tanto do lado da retórica como das ciências politicas. Não acaso a arte se apropriou de Tucídides e o encenou. Ler Tucídides é encontrar um texto multifacetado e riquíssimo, que não pode ser fechado na única vertente da historiografia.
42:51
August 6, 2021
Bônus do episódio 33
 
02:46
July 2, 2021
33. Píndaro
Robert de Brose (UFC)leu uma reportagem sobre a pesquisa dos manuscritos do Mar Morto e da literatura cristã primitiva e, fascinado, decidiu estudar grego. Escreveu para a FUVESP, em 1998, e recebeu em casa o manual do ano anterior. Tempos em que não havia ainda a internet. Saiu lá do interior do RS para São Paulo para fazer grego. Sempre gostou mais de latim, mas o grego parecia mais arcano, mais erudito. O grego foi uma língua difícil no começo, demorou mais de um ano para gostar mesmo da língua e de sua sonoridade. Trabalhou ao mesmo tempo como tradutor e legendador, e fez toda a graduação noturna, trabalhando. Robert diz que não existem clássicos sem tradução e a tradução floresce na diversidade e que sempre gostou de traduzir e de pensar a tradução. E nos fala de Píndaro, a relação dele com nossa personagem nasceu como um casamento arranjado mas acabou se tornando verdadeira paixão. Não temos informações biográficas de Píndaro que não tenham sido retiradas dos próprios poemas. Nasce por volta de 518, no começo das Guerras Médicas, era filho de um auleta, que ensinou a ele como tocar o instrumento. Píndaro tem algo inimitável em suas metáforas e sua combatividade. Sua poesia é tida como difícil já na Antiguidade, mas sua obscuridade surge em uma recepção muita específica da obra dele: a crítica dos gramáticos e lexicógrafos. Na recepção dos poetas, esta mesma dificuldade se torna sofisticação poética, sendo assim altamente elogiada. Robert recomenda começar a ler Píndaro pela Primeira Olímpica, onde sua genialidade é muito conspícua. Robert mantém um blogo sobre tradução: http://versosemreverso.blogspot.com
46:60
June 25, 2021
32. Episódio Especial Ao Vivo - Parte 2
Segunda parte do episódio especial do Podcast Archai, transmitido pelo Youtube no dia 19 de maio de 2021, no interior da programação do XVIII Seminário Internacional Archai - Novas Agendas para os Estudos Clássicos: raça e ecologia. Participação: Beatriz de Paoli (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Fernanda Pio (Universidade de Brasília) Flávia Amaral (University of Toronto) Gabriele Cornelli (Universidade de Brasília) Moderação: Renata Cazarini de Freitas (Universidade Federal Fluminense) A gravação em vídeo está disponível aqui: https://youtu.be/j0f27OrWTTc
01:00:33
June 18, 2021
31. Afrodite
Giuliana Ragusa (USP) se interessou inicialmente por literatura brasileira. Mas o pai, físico, gostava de ler obras em grego e latim. Assim, apesar de andar por outras literaturas em sua graduação, "no meio do caminho havia o grego" e as aulas de Paula Correa, na USP. Ao estudo de Afrodite chega por Safo e seu Hino a Afrodite, que combina dois mundo de grande interesse: do mito e do erotismo visto pelo lado feminino. A trajetória dela mostra que a vida tem desvios e que nem todas as escolhas são fechamentos de portas. Afrodite, mais do que a deusa do amor, é a deusa do mundo do sexo, tanto como elemento de procriação da espécie, mas não se restringe ao sexo hetero-erótico. Éros, que nada tem a ver com nosso amor romântico, tem mais a ver com a dimensão física, com uma durabilidade breve. É mais desejo do que amor, propriamente. Este é o mundo de Afrodite, que não por acaso é a mais bela, única entre os deuses que é chamada de aurea, dourada. A iconografia de Afrodite ativa o olhar constantemente de quem contempla suas imagens e indica como funciona o poder do desejo, de éros. A sedução também, como exercício da persuasão, é parte do território de Afrodite. Assim como o engano, que é parte da persuasão erótica. Afrodite está muito presente no casamento, tanto nos rituais como na vida cotidiana.
48:19
June 12, 2021
30. Episódio Especial Ao Vivo - Parte 1
Primeira parte do episódio especial do Podcast Archai, transmitido pelo Youtube no dia 19 de maio de 2021, no interior da programação do XVIII Seminário Internacional Archai - Novas Agendas para os Estudos Clássicos: raça e ecologia. Participação: Beatriz de Paoli (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Fernanda Pio (Universidade de Brasília) Flávia Amaral (University of Toronto) Gabriele Cornelli (Universidade de Brasília) Moderação: Renata Cazarini de Freitas (Universidade Federal Fluminense) A gravação em vídeo está disponível aqui: https://youtu.be/j0f27OrWTTc
53:36
June 4, 2021
29. Proclo
Antonio Vargas (Universidade Hebraica de Jerusalém) nasceu como estudante de filosofia alemã na UnB, mas na Alemanha encontrou o platonismo e a filosofia grega e fez seu mestrado e doutorado na Universidade de Humboldt. O encontro com Proclo mudou os rumos da carreira acadêmica dele. Proclo nasceu em 412 EC em Constantinopla e o nome dele quer dizer "longe de casa". No final da vida vira o chefe da Academia platônica em Atenas. Foi um neoplatônico muito sistemático e muito influente até o século XIX. O interesse pela filosofia brasileira nasceu na graduação: por meio de Júlio Cabreira conheceu Vicente Ferreira da Silva, um filósofo muito original apesar de muito influenciado por Heidegger. Mais recentemente a leitura de Gilberto Freire lhe mostrou como muitas perguntas filosóficas minha era ligada à sociologia do Brasil. O site pessoal de Antonio Vargas é https://antoniofilosofo.com
38:07
May 28, 2021
Um convite especial
https://www.youtube.com/watch?v=j0f27OrWTTc 
00:48
May 18, 2021
28. Políbio
Breno Sebastiani (USP) fala de sua formação de historiador e de como virou professor de Grego na FFLCH/USP. Homero e Platão foram os primeiros autores que ele quis ler e entender no original. Por isso, acabou cursando mais disciplinas de grego do que disciplinas da história. Foi o professor Murari quem disse a ele pela primeira vez que o trabalho dele era mais do letras do que de história. A hermenêutica histórico-literária é a abordagem que ele utiliza como classicista e com ela atravessa as disciplinas e os temas. E de Políbio, historiador do segundo século aEC, nascido em Megalopoli, na encruzilhada geo-política do mundo mediterrâneo, entre romanos e macedônios. Herdeiro político de uma família influente, lá pelos 30 anos de idade Políbio é levado para Roma como refém. Lá fica por sete anos e tem acesso à biblioteca do rei Perseu e à vida romana. Em sua obra os romanos são chamados de "bárbaros de Ocidente", mas a relação com eles era mais complexa, de amor e ódio. Em Roma decide escrever a história do período, porque nenhum povo jamais fez o que os romanos fizeram: articular todos os povos da bacia mediterrânea em volta de um poder único. Políbio, como olho de águia que era, conseguiu enxergar o primeiro projeto de globalização. Para encontrar o Breno, aqui vai a árvores dos links dele: https://linktr.ee/brenosebastiani
45:22
May 14, 2021
27. Sexto Empírico
Rodrigo Brito (UFRRJ) escolheu estudar filosofia na UERJ porque não existia trote. No nono andar da UERJ aprendeu muito de política e uma relação despojada com a filosofia. Luis Bica e Marcelo Araujo tiveram muita influencia na formação dele e acabou estudando Sexto Empírico desde então. Virou aquele texto filosófico em que ele se achou, como uma bóia na qual se agarrou desde o TCC. O resto do percurso dele parece uma anedota wittgestainiana: desde pintar parede até vender cachaça na Lapa. Até fazer um projeto para o Mestrado na PUC-Rio para estudar o ceticismo sextiano. Rodrigo fala de tradução como de um trabalho invisível e duro e do ceticismo estudado coletivamente por um grupo de pesquisadores no Brasil que se reune entorno da revista Skepsis e do GT-Ceticismo na ANPOF. E de Sexto Empíric,um filósofo do qual sabemos muito pouco, que trabalhou certamente com uma boa biblioteca, o que restringe as cidades onde deve ter produzido: Roma, Pergamo, Atenas ou Alexandria, com toda probabilidade. Era médico, mas não sabemos se escreveu uma obra médica. Fonte importante para os texto pré-socráticos e pós-socráticos, Sexto é a melhor fonte ao lado de Plutarco e Cicero para reconstruirmos o pensamento dos estóicos.
35:17
May 7, 2021
26. Propércio
Zélia Cardoso (USP) teve contato com o latim em 1942, com 7 anos. Um ano de guerra, terrível como este que estamos vivendo. As igrejas começaram a rezar pela paz e Zélia, que morava nas Perdizes, perto do Carmelo, ia toda tarde rezar os 48 epítetos da ladainha de Nossa Senhora em latim, que acabava com regina pacis, rainha da paz. Foi a primeira aluna a se matricular e receber o titulo de doutor em Letras clássicas na USP, em 1976, e lá ficou por mais de 40 anos dando aula de latim. O resto é uma parte fundamental da história das letras clássicas no Brasil. Zélia nos fala de Propércio e de suas 96 Elegias. Poeta elogiado de época de Augusto, não sabemos muito da vida dele, mas participa da celebre revolução cultural augustana com sua poesia de amor. A pergunta que Zélia se faz é porque ele escreve elegias? A história da elegia vai explicar um pouco isso e de como a elegia vira poesia de amor em época alexandrina e depois em Roma, onde se veste de uma roupagem nova, passando a ter uma coloração autobiográfica. A maioria das elegias é dedicada a Cíntia e ele próprio, seu eu poético escravizado, vitima desse amor. O amor é uma doença incurável, uma loucura que afasta as pessoas da razão, um sofrimento. Mas é também guerra que pode levar ao sadomasoquismo, ao desejo de morte. De Cíntia Propércio dá o melhor retrato físico de toda poesia latina: fala da altura, dos cabelos, dos seios, das graças ocultas que tem sob as vestes. Propércio. Cynthia monobiblos 1,1-8 Cynthia prima suis miserum me cepit ocellis     contactum nullis ante cupidinibus. Tum mihi constantis deiecit lumina fastus         et caput impositis pressit Amor pedibus           donec me docuit castas odisse puellas           5   improbus et nullo uiuere consilio. Et mihi iam toto furor hic non deficit anno   cum tamen aduersos cogor habere deos.  Foi Cíntia, com seu fascínio, a primeira a cativar-me,                 desditoso, anteriormente não tocado por paixões.              Amor abateu-me o brilho de minha altivez constante                 e comprimiu-me a cabeça, pondo sobre ela os pés,              enquanto ele me ensinava a detestar moças castas,                             e a viver sem bons costumes, sem nenhuma sensatez.             A loucura não cessou, durante este ano inteiro,               mas sou forçado a julgar os deuses como adversos.
47:26
April 30, 2021
25. Diógenes, o cão
Olimar Flores Jr. (UFMG) conta que a leitura de Luciano, para a qual foi introduzido pelo Jacyntho Lins Brandão, marcou a passagem dele para a filosofia na pós-graduação, antes na UFMG e depois em Paris, onde foi orientado por Marie-Odile Goulet-Cazé, uma das maiores referências nos estudos sobre o cinismo. E nos conta um pouco de Diógenes de Sinope, que não morava em um tonel, como somos acostumados a pensar, e sim em uma ânfora: não foi a primeiro a fazer isso, os pobres moravam dentro de uma ânfora porque não tinham onde morar, como ele quando chegou em Atenas. Olimar lembra ainda que nunca houve uma escola cínica propriamente, algo como uma Academia de Platão, por exemplo. Conta das várias hipóteses sobre o fato de Diógenes ser chamado de cão, ainda que os cínicos nunca chamaram a si mesmos de cães. Olimar nos lembra que Uma das grandes características da filosofia cínica é que a vida do filósofo é o próprio texto da doutrina: no modo de viver há a composição de uma certa filosofia, o discurso filosófico é de alguma forma uma performance.
48:34
April 23, 2021
24. Damascio
Luca Pitteloud (UFABC) é suiço e estudou filosofia na Universidade de Friburgo. Não sabe bem porque estudou filosofia, quiçá porque no ensino médio não soube escolher entre formação literária e científica, e a filosofia pareceu cobrir ambas. A filosofia antiga se impôs a ele ao conhecer o carisma do Dominic O'Meara. Veio ao Brasil como pós-doutorando na Cátedra UNESCO Archai da UnB e agora é professor de filosofia antiga na UFABC. Damáscio, de Damasco foi o último diádoco da Academia de Platão, um filósofo neoplatônico, um organizador muito eficiente e ativo. Começa como estudioso de retórica, mas logo se dá conta que é a filosofia platônica o que mais lhe interessa. Isidoro foi o grande mestre de Damascio, que escreve uma vida de seu mestre. Damáscio foge de Atenas após o fechamento da Academia pelo imperador Justiniano, junto com Isidoro, Simplício e outros colegas acadêmicos: foram acolhidos pelo imperador persa, na atual Turquia.
39:47
April 16, 2021
23. Sêneca
Renata Cazarini de Freitas (UFF) foi egressa do já mítico Curso de Especialização da Cátedra UNESCO Archai em 2012. Depois de entrar na filosofia na USP, abandona e dedicar-se a uma carreira de 20 anos no jornalismo, chegando à BBC em Londres, Reuters e acaba como Diretora de Redação Agência Estado do grupo Estadão. Aos 40 anos decide fazer Letras para mudar de ares, do jornalismo para a editoria de livros. Na metade da graduação largou o cargo de jornalista e se dedicou à pesquisa, mestrado e doutorado em 2019 na USP. Na Universidade como classicista achou um espaço fértil, com cineclube, blog e muitas aulas. O encontro com Sêneca se deu na sala de aula na USP, como cinéfilas ficou apaixonada com os textos teatrais da Antiguidade. Sêneca é uma das pessoas mais polêmica da época imperial. De origem hispânica, de familia abastada, é exilado na época de Cláudio, mas foi tutor de seu enteado, Nero. Uma mudança de sorte muito curiosa. Emprestava dinheiro a juros, algo nunca muito bem visto, mas as más línguas dizem que foi o homem mais rico do mundo. E ao mesmo tempo, um adepto do Estoicismo, do qual até hoje é quiçá o maior divulgador.  É um dos primeiros a escrever filosofia em latim, ainda que seja algo mais de divulgação do que original. Seneca é também escritor de poesia trágica. Uma de suas personagens mais emblemáticas foi Medeia. Blog de Renata: http://palcoclassico.blogspot.com/ Instagram de Renata: @teatronuncaenfado
44:46
April 9, 2021
22. Jesus, de Nazaré
André Leonardo Chevitarese (UFRJ) fala de sua formação inicial em física, com um especial interesse na astronomia. Mas logo percebeu que o que buscava sobre o Universo não eram questões matemáticas, e sim sobre o ser humano. No início dos anos 80 os professores de História moderna não pensavam muito isso, mas foi com as aulas de historia antiga de Neyde Theml que conseguiu discutir as questões que lhe interessava, e assim virou historiador do mundo antigo. Foi em colaboração com Gabriele Cornelli que se voltou em algum momento para a história da religião. Sua bagagem acadêmica, nas encruzilhadas entre história, arqueologia e antropologia, permitiu jogar um olhar interdisciplinar sólido sobre a história do Cristianismo primitivo. O Jesus histórico é um produto da ciência, não existe antes do século 18. Em uma geração o camponês analfabeto que fala aramaico vira, na literatura cristã, um homem educado, de lingua grega. A pesquisa hoje se pergunta: que tipo de judeu era Jesus e porque o movimento dele deu certo e os outros não. Sem spoiler aqui, é para ouvir mesmo. Mas gostamos especialmente do que fala no final sobre Jesus e as mulheres.  Sigam André Chevitarese no Instagram: @andrechevitarese e no Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCEI8IE2v5Ykxci5ChME1p6g
58:59
April 2, 2021
21. Diceópolis
Ana Maria César Pompeu (UFCE) começou sua carreira acadêmica interessada em linguística e foi estudar em São Paulo em uma época em que os centros de referências para os estudos clássicos estavam lá. A Sociedade Brasileiras de Estudos Clássicos é parte desta trajetória e de repente Ana Maria acaba sendo escolhida como Presidenta da SBEC e bem no meio desta pandemia. Os Acarnenses de Aristófanes, uma das comédias mais antigas, traz esta personagem, Diceópolis, que significa cidade justa. A cidade justa é a própria comédia, que vivencia a impossibilidade da trégua e da paz. A comédia é o vinho da festa em lugar do sangue da tragédia, Dionisio renascido e salvador. Ana Maria se identifica com Diceópolis por ser do interior e ser contra o comércio como única via. A tradução matuta de Ana Maria é original e ela a define como etno-ética.
40:18
March 26, 2021
20. Cícero
Isadora Prévide Bernardo é assessora parlamentar, graduada em Letras e Doutora em Filosofia pela USP. Sacoleja nas ondas da República desde muito cedo, como tradutora de Cícero, e procura trazer os estudos clássicos para o cotidiano parlamentar. Uma questão adormecida na pesquisa dela é a da sociabilidade e da violência, da oikeiosis sempre presente na obra de Cicero. O estudo de Cicero começou com um encantamento pelo De Amizade e pelas aulas de Paulo Martins e João Ângelo Oliva. Cicero fez filosofia e escreveu retórica ao mesmo tempo em que atuava politicamente em uma República romana ruindo. Sua grande questão é pensar Roma e faz isso de maneira muito eclética. Uma de suas maiores contribuições é certamente a de ser autor de uma vocabulário filosófico em lingua latina. Isadora mantem uma conta de Instagram: @isa_previde
39:06
March 19, 2021
19. Ájax
Agatha Pitombo Bacelar (UnB) fala de quando mudou de inglês para grego na UFRJ sem avisar a família, de sua paixão pelo teatro e do encontro com Homero. De sua trajetória de formação nacional e internacional e de como quando na UnB e gostou muito do campus e da Colina, onde mora hoje. E de Ájax, um herói que se destaca como guerreiro, e recebe na Ilíada de Homero o apelido de torre e de muralha dos aqueus. Ájax está presente em diversos autores, como Homero, Pindaro, Sófocles e Heródoto. Em cada autor a personagem assume diferentes cores e matizes.
30:14
March 12, 2021
18. Bhartrhari
Adriano Aprigliano (USP) começa de longe: de algum lugar do Sub-continente indiano, de seu encontro com o sânscrito, que era uma janela na grade horária de aulas na USP. O interesse logo foi para a história das ideias linguísticas e a tradição gramatical indiana. Viveu a tensão de um classicista que estuda a tradição oriental, mas como acadêmico mais estético do que ético. E de Bhartrhari filósofo indiano brâmane do IV-V século, sob a dinastia Gupta. Dizem que gostava muito de mulheres e das coisas boa da vida e viveu a era de ouro do desenvolvimento das artes e da ciência no mundo indiano. Ele apresenta uma nova gramática, reapresentando no âmbito da filosofia da linguagem a célebre tradição da descrição das forma linguísticas indiana. O brahman sem começo nem fim é a primeira palavra de Bhartrhari, na tradição de um pensamento upanishadico como representação metafisica de conceitos religiosos. E da relação, ou melhor da falta dela, do bramanismo com a cultura greco-romana.   Para saber mais: Aprigliano, A. Da palavra [Vākyapadīya]. São Paulo: Unesp, 2012. brahman
50:31
March 5, 2021
Rádio Archai - Lançamento
Trailer de lançamento do projeto Rádio Archai. Assine a Rádio Archai em seu agregador de podcasts aqui: https://anchor.fm/radio-archai Aguardem por mais Podcasts Archai depois... do Carnaval, ora! 
00:43
February 2, 2021
17. Homero
Leonardo Antunes (UFRGS) fala de como se apaixonou pelos clássicos e por Homero e como decidiu musicar os proêmios de Ilíada e Odisséia. De como articula os universos da cultura geek com os estudos clássicos, sendo gamer e tendo crescido em uma casa de programadores. Os dois lados de Leonardo helenista e nerd se encontraram especialmente neste ano de pandemia e deste encontro nasceu o projeto das aulas de Grego online e dos jogos com temática grega em seu Canal Youtube. E falamos de Homero, da eterna questão de quem foi ele que acompanha todos seus estudos e traduções. Homero foi milhares de pessoas que escreveram um tesouro poético da Humanidade. No final Leonardo deixa uma extraordinária palhinha da música dele. A pedidos, aqui vai o Canal Youtube de Leonardo Antunes: https://www.youtube.com/c/LeonardoAntunes
37:42
December 28, 2020
16. Luciano, de Samósata
Jacyntho Lins Brandão (UFMG) fala de seu gosto pelas línguas e de como cresceu em um convento das Carmelitas. Do dia em que chegaram uma caixa de livros na casa da mãe dele duas gramáticas de grego e dos abaixo-assinados que ele fazia para ter aulas de grego na graduação. Como os gregos acabam sempre no Oriente, ele também acabou na Mesopotâmia e está terminando a tradução do Enuma Elish. Jacyntho ainda fala da pré-história da SBEC e da programação do primeiro congresso, feita literalmente com papel, cola e tesouras, como o lema “Começar de novo”. E de Luciano de Samósata, um sofista e polígrafo sírio, criado na paideia grega e vivendo no mundo romano. Sendo bárbaro, é recebido no espaço multicultural romano como fosse grego. De como descobriu um volume da obra ele, emprestado por um colega, e se impressionou com os seus diálogos cômicos. Acabou por estudar a alteridade nos diálogos de Luciano, que espelha a própria alteridade dele de romano, grego e bárbaro de Luciano. Um verdadeiro pensador da cultura, um escritor interessado naquilo que acontece no tempo dele. O modelo do diálogo cômico dele é o diálogo platônico, tanto que no dicionário de filósofos gregos do Goulet Luciano está lá. O riso de Luciano é uma grande ideia filosófica.
51:36
December 18, 2020
15. Dike
JAA Torrano (USP) fala de como começou pela Metafísica, de sua paixão pela tradução, que é a melhor maneira de ler, e de como a intuição na vida acadêmica o levou sempre para os caminhos certos. Torrano lê trechos de suas belas traduções para falar da genealogia mítica hesiódica da justiça, Dike, como uma das estações, filha de Zeus e Témis, a fonte do poder e o ser em sua totalidade, uma ordem imanente ao equilíbrio do mundo. Mas também da justiça como ordem da cidade e como trabalho, que insere o ser humano na ordem divina do mundo. Nos versos de Homero, Dike encontra uma sociedade aristocrática e guerreira, com um código de honra muito forte, mas ainda a mesma visão do mundo, que é aquela do pensamento mítico arcaico: um ser humano sempre em uma interlocução direta com a divindade.
01:01:59
December 11, 2020
14. Safo
Lethícia Ouro (PPGm/UnB) fala de sua experiência como professora no colégio Pedro II, de sua trajetória pela filosofia antiga no rio. E de Safo, uma poetisa extraordinária, uma filósofa arcaica, fundadora de uma escola em que as mulheres aprendem sobre o amor, a beleza, o corpo atravessado por diversas representações de gênero e sexualidade.
38:12
December 4, 2020
13. Eumáquia, de Pompéia
Marina Cavicchioli (UFBA) fala de sua trajetória como historiadora e arqueóloga, de suas viagens com mochila nas costas pela Itália em buscas de seus antepassados, e nos introduz às escavações de Pompéia. Pelas vias da cidade Marina nos apresenta a uma mulher de Pompéia: Eumáquia. Uma businesswoman, uma mulher empreendedora, e claramente não a única em Pompéia e no mundo antigo. Eumáquia sai de uma quase-anonimidade direto para nosso Podcast Archai. Se fala em um certo momento da “Casa di Venere in conchiglia” de Pompéia. Para quem tiver a curiosidade de olhar para a imagem desta Venus na concha: http://www.pompeiitaly.org/it/scavi-di-pompei/casa-della-venere-in-conchiglia/
41:11
November 27, 2020
12. Sólon
Delfim Ferreira Leão (Universidade de Coimbra) fala de seu trabalho como pesquisador e docente de estudos clássicos de uma das Universidades mais antigas do mundo, de como quase foi matemático, de sua paixão pela editoria científica aberta e de seu trabalho à frente da prestigiosa Imprensa da Universidade de Coimbra. E ainda da acusação injusta de conservadorismo contra a área de estudos clássicos e das vantagens de ser um classicista português e lusófono. E de Sólon, uma figura discreta mas paradigmática, já clássico desde a Antiguidade. Sólon em sua poliedricidade de sábio, legislador/estadista e poeta, homem de transição e fronteiras, um aristocrata progressista nas encruzilhadas das origens do mundo ocidental.
36:36
November 20, 2020
11. Lucrécio
Rodrigo Gonçalves (UFPR) fala de Lucrécio e de seu poema subversivo e terapêutico ao mesmo tempo, quase um livro de auto-ajuda. E de prazer e epicurismo, de sua formação clássica, de como foi ser professor de latim aos 23 anos, de quando surgiu a ideia do grupo Pecora Loca, de poesia, tradução, greves estudantis e heavy metal. Nada, portanto, é a morte pra nós, nem a nós diz respeito, uma vez que é mortal o ânimo por natureza. Como nos tempos pregressos, nada sofremos dos males dos avanços guerreiros púnicos de todo lado, todos sofrendo com trépido estrondo causado da guerra, horrificados, tremendo sob o éter sublime, sem saber a qual lado viria a vitória e o império sobre todos humanos e sobre os mares e terras, dessa maneira, quando não existirmos e quando o discídio de ânimo e corpo nos obliterarem, já que então não mais seremos, não mais sofreremos, nada, também, poderá comover sensações em nós mesmos, mesmo se terra e mar, ou mar e céu se fundirem. Mas, se, acaso, depois que, do corpo, for afastada a natureza do ânimo e a ânima ainda tiverem sensação, isso não nos importa, pois nós consistimos da conjunção de ânima e corpo que o ser unifica. Nem se as eras trouxessem de volta a nossa matéria muito tempo depois de morrermos, criando de novo como é agora, e a nós novamente as luzes da vida se restaurassem, pra nós nada disso faria sentido, já que as lembranças passadas em nós estariam perdidas. Já agora nada daquilo que fomos importa, nem nos afeta a angústia que sofremos outrora. Quando contemplas o imenso espaço de tempo passado e os inúmeros modos, conformações da matéria fácil será acreditar que as sementes das coisas, outrora, estas que formam agora aquilo que somos, já foram colocadas em ordem idêntica à forma que temos. Nem isso tudo podemos, porém, trazer à memória: já que interpôs-se uma pausa de vida e erraram vagando os movimentos dos sentidos por todos os lados. E se acaso houver no futuro dor ou tristeza, deve também haver alguém nesse mesmo período para sofrê-los. Como a morte o proíbe, eximindo da existência o que concentraria os incômodos, dores, nós podemos saber que nada é temível na morte e que não pode ser mísero quem não existe, e até mesmo nada difere se ainda não tivesse nascido ou se a vida mortal pela morte imortal foi tolhida. (Lucrécio. De Rerum Natura III.830-869, trad. R. Gonçalves)
46:27
November 13, 2020
10. Helena
Maria Cecília de Miranda Coelho (UFMG) fala de sua formação na UnB, da biblioteca de Eudoro de Sousa, de sua paixão pela recepção dos clássicos no cinema e das emoções na retórica. A conversa é sobre Helena, uma personagem fictícia, complexa, disputada, ambígua e famosa também pelo Elogio que Górgias fez a ela, bela metáfora para o poder persuasivo do discurso.
41:17
November 6, 2020
9. Heródoto
Carmen Soares (Universidade de Coimbra) conta de como virou classicista graças ao conselho da irmã, de quanta matemática é precisa para estudar grego, de seus estudos sobre alimentação antiga, do Mestrado em Culturas da Alimentação da Universidade de Coimbra. E de Heródoto, pai da história, da centralidade do conflito em sua obra, da pesquisa dele sobre gentes e terras, de sua escrita labiríntica, perfeita para almas que gostam de vadiar. E ainda de quando, no encontro da Europa com o Novo Mundo, Heródoto deixa finalmente de ser considerado um mentiroso. O email de Carmen Soares é cech.carmensoares ARROBA gmail.com
42:43
October 30, 2020
8. Crátilo
Luisa Severo Buarque de Holanda (PUC-Rio) fala de sua trajetória na filosofia antiga, do professor de filosofia dela no ensino médio, de como ler a filosofia antiga grega pelas filosofias não-europeias , de politeismos antigos e atuais. E de Crátilo, personagem secundária e frequentemente cômica  na história da filosofia, mas que Platão coloca para conversar com Sócrates sobre os nomes no diálogo homônimo.
37:46
October 23, 2020
7. Dionísio I de Siracusa
Maria Beatriz Borba Florenzano (MAE/USP) fala de Dionísio I de Siracusa, um dos mais longevos e poderoso tiranos do mundo antigo, desde uma das cidades mais belas e poderosas do mundo antigo. Beatriz ainda conta da trajetória de uma arqueóloga no Brasil, do atenocentrismo dos estudos clássicos e do urbanismo antigo grego. Para quem quiser conhecer mais: www.labeca.map.usp.br
43:58
October 16, 2020
6. Alexandre, o Grande
Henrique Modanez de Sant’Anna (UnB) fala de Alexandre, o Grande. A conversa encontra as encruzilhadas entre Oriente e Ocidente, a definição do poder e os caminhos de uma das personagens mais incríveis da história antiga.
39:57
October 9, 2020
5. Augusto
Paulo Martins(USP) fala de como na fila do xerox foi convencido a estudar latim, e de como sua carreira entrelaçou desde sempre poesia e política. O episódio é dedicado ao imperador Augusto: se fala de suas profundas reformas religiosas e políticas e da impressionante máquina de propaganda que sustentou um projeto de poder duradouro e que mudou o rosto da República romana.
35:46
October 2, 2020
4. Horácio
Guilherme Gontijo Flores (UFPR) conta de sua formação literária e de como a tradução é a ponte entre a academia e a poesia dele. O episódio é dedicado ao poeta Horácio: Guilherme fala de sua amizade com Mecenas, que colocava muito alho na comida, de sua proximidade com Augusto, para o qual todavia recusou um poema épico, e da Vila Sabina. No episódio falamos de um projeto muito legal de Guilherme Gontijo Flores, o Coestelário.
38:02
September 25, 2020
3. Heráclito
Marcus Mota (UnB) conversa sobre Heráclito, sua música e Eudoro de Sousa. Os retratos de Eudoro e de Heráclito acabam por se sobreporem em algum momento. As palavras de Marcus Mota desenham um tecido musical e filosófico inédito.  Para quem quiser ouvir as ipsissima verba de Eudoro sobre Heráclito, aconselhamos este video
36:23
September 18, 2020
2. Esopo
Adriane Duarte (USP) conversa sobre sua formação, o que a levou a escrever literatura infantil e o alcance das fábulas de Esopo. Adriane conta também a fábula preferida de seu pai e as peripécias da vida (romance) de Esopo. Moral do podcast: quem quer agradar todo mundo acaba não agradando ninguém.
35:43
August 29, 2020
1. Epicteto
Aldo Dinucci (UFS) conversa sobre o filósofo estóico Epicteto. No tom das discussões socráticas, a conversa entrelaça a história de um filósofo que foi escravo e a trajetória pouco comum de um pesquisador brasileiro, as relações perigosas entre filosofia e o poder e... uma dica sobre como se cozinham bagels.
33:35
August 29, 2020