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O Poema Ensina a Cair

O Poema Ensina a Cair

By Raquel Marinho
A poesia é a distância mais curta entre duas pessoas, diz o poeta Lawrence Ferlinghetti, um dos autores mais importantes da geração beat. Procuramos, com este podcast, aproximar-nos das escolhas poéticas dos nossos convidados esperando, desta forma, ficar mais perto deles e conhecê-los melhor.

Acreditamos que “O Poema Ensina a Cair”, como diz Luiza Neto Jorge, verso que usamos para dar título a este podcast sobre os poemas da vida dos nossos convidados. Um projecto da autoria de Raquel Marinho.
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Leituras: Miguel Martins

O Poema Ensina a Cair

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O Poema Ensina a Cair - Simone de Oliveira
Para falarmos da nossa convidada de hoje podemos começar por usar as suas palavras: "Eu chamo-me Simone e canto cantigas… os prémios, as condecorações, fico profundamente grata mas continuo a chamar-me Simone e a cantar cantigas”. De facto, basta-nos o nome próprio Simone para  sabermos que estamos a falar de Simone de Oliveira. Este reconhecimento imediato deve-se a um percurso profissional de 65 anos, celebrados recentemente num último espectáculo no coliseu de Lisboa, onde cabem as cantigas, sim, mais de quatrocentas, mas também o teatro, a televisão, a rádio e o cinema. Simone de Oliveira nasceu a 11 de Fevereiro de 1938 em Lisboa e, por vontade da mãe, ter-se-ia chamado Maria de Lurdes porque este dia assinala o dia da Nossa Senhora de Lurdes. As cantigas, como gosta de lhes chamar, apareceram na sua vida como uma espécie de ponto de fuga para um problema pessoal que a afundou psicologicamente: um casamento de onde fugiu porque o marido lhe batia. Disse numa entrevista que "cantar foi a forma de ultrapassar essa fase", e que gostaria que não lhe tivesse acontecido aquilo tudo, mas que hoje recorda esses tempos como se tivesse sido outra pessoa que os viveu. Ainda bem que começou a cantar, não apenas porque saiu do lugar triste onde se encontrava, mas também porque se tornou uma das nossas grandes intérpretes, uma mulher para quem tantos poetas escreveram canções que ficarão na história da música portuguesa, como a Desfolhada, de José Carlos Ary dos Santos, com que venceu o Festival RTP da Canção em 1969, e o verso polémico “quem faz um filho fá-lo por gosto” que abanou o país em plena ditadura. Lembra-se bem desses tempos do Estado Novo e do que era ser mulher nesse contexto, tendo atitudes e posturas comummente atribuídas apenas aos homens. Também se lembra da segunda guerra mundial e das senhas de racionamento de comida. Tem ascendência belga, espanhola e são tomense, e diz que tem a impressão de haver alguma negritude no seu sangue e alma. Nunca pediu um poema aos poetas, mas o que é facto é que lhos deram. David Mourão Ferreira e Eugénio de Andrade, são apenas dois exemplos. Já vamos saber se estão entre os escolhidos para a conversa de hoje.
01:24:06
May 16, 2022
O Poema Ensina a Cair - Tiago Bettencourt
Tiago Bettencourt nasceu em Coimbra, em 1979. Ainda pequeno, em casa dos pais, cantava Nirvana aos gritos, mas antes de decidir que seria cantor e compositor quis ser arquitecto. Estudou arquitectura  até ao último ano do curso, altura em que formou uma banda. O sucesso foi tanto que lhe desviou o caminho. Por causa da música deixou também de fazer Erasmus e será talvez por isso que gosta tanto de viajar. Disse numa entrevista "sempre que tenho tempo, gosto de fazer aquelas viagens low cost e de ficar em hotéis em que pago dez euros por noite. Isso inspira-me muito". Gostaria de ter vivido fora, ainda não aconteceu. Foi, então, o vocalista dos Toranja, banda que vendeu mais de 60 mil cópias com o primeiro álbum, Esquissos, e cujo tema Carta recebeu o Globo de Ouro para Melhor Canção, em 2004. Depois de Toranja, rumou ao Canadá para gravar o primeiro álbum a solo, e vem trabalhando a canção e a composição nesse registo desde então. Apesar do sucesso e reconhecimento do público, cultiva a reserva da privacidade. Disse, aliás, numa entrevista "espero que a minha música não diga nada sobre mim, porque o importante não sou eu. (…) O importante é a música deixar de ser nossa e passar a ser das pessoas." A música de Tiago Bettencourt será, de facto, das muitas pessoas que o seguem e admiram, algumas delas talvez ainda mais próximas agora, depois de na pandemia ter recuperado um projecto antigo chamado Tiago na Toca e de ter feito regularmente directos na rede social Instagram para onde também cantou temas de outros músicos. Foi precisamente na pandemia que confirmou a ideia de que a cultura é fundamental, nas suas palavras, para a sanidade mental de cada um de nós e da identidade de um país. E por falar em cultura, além de música, Tiago Bettencourt gosta de exposições, de ler, também poesia. O tal projecto que recuperou em 2020 para os directos do Instagram chamado Tiago na Toca, nasce de um outro projecto antigo, de 2011, que é um disco/livro chamado Tiago na Toca e os Poetas onde, precisamente, musicou poemas de poetas portugueses.  Apesar de preferir que se fale menos dele e mais do seu trabalho, vamos conseguindo conhecê-lo um bocadinho melhor através das várias entrevistas que vem dando. Ficamos a saber, por exemplo, que convidaria Tom Waits para um jantar a dois, e que é de Tom Waits uma das canções que gostaria de ter escrito: chama-se I Want You.
01:43:04
May 02, 2022
Reconstituição Portuguesa - Um livro que transforma um símbolo do fascismo em poemas de liberdade
Chama-se Reconstituição Portuguesa e é um livro que usa a censura do Lápis Azul sobre a Constituição fascista de 1933 para criar um manifesto de liberdade. Uma ideia de Viton Araújo e Diego Tórgo, desenvolvida por um colectivo de poetas e ilustradores a partir da técnica de blackout poetry, com edição Companhia das Letras.  Participam neste exercício, que será lançado no dia em que se celebram 48 anos do 25 de Abril, Ana Moreira, André Tecedeiro, António Jorge Gonçalves, Bernardo Abreu, Caró Lago, DeBrito, DJ Huba, Eduardo Tavares, Fabian Gloeden, Filipa Pinto, Filipe Homem Fonseca, Gilson Barreto (Dela Mantra), Gisela Casimiro, João Silveira, Jorge Barrote, Jorgette Dumby, José Anjos, Li Alves, Lila Tiago, Lucerna do Moco, Luís Perdigão, Maikon Nery, Marcelo Dalbosco, Maria Giulia Pinheiro, Marina Ferraz, Marmota Vs Milky, Miguel Antunes, Nilson Muniz, Nuno Piteira, Paola D`Agostino, Rita Capucho, Rita Taborda Duarte, Sérgio Coutinho, Viton Araujo.  Entrevista de Raquel Marinho. 
16:24
April 23, 2022
O Poema Ensina a Cair - Luís Osório
Luís Osório começou no jornalismo ainda jovem adulto, pelo semanário "O Jornal", que viria a dar origem à Revista Visão, e onde conheceu de perto, por exemplo, Fernando Assis Pacheco. Já nessa altura seria tímido, característica que mantém até hoje, e que determinou a escrita como “o único caminho possível. O único caminho onde estava confortável" consigo próprio, mas a verdade é que percorreu muitos outros. Jornalista, encenador, escritor, autor de teatro, director de projectos jornalísticos na imprensa escrita e rádio, autor de programas de televisão, rádio e de um documentário, comunicador, comunicador político, contador de histórias, admirador confesso de pessoas e da liberdade, Luís Osório, nasceu a 15 de Setembro de 1951. Vamos hoje conhecê-lo melhor através das escolhas poéticas que selecionou para partilhar connosco, mas podemos todos, de há uns tempos para cá, acompanhar o que vai pensando sobre o país e o mundo através dos textos que partilha no Facebook. Uma espécie de diário em tom de crónica transversal sobre a atualidade, a que chama "Postal do Dia", mas onde também cabem outras reflexões, e até listas: estamos aqui para falar de poemas, mas se quiser saber quais são as músicas da vida de Luís Osório, ele conta, lá no Facebook. Disse em várias entrevistas que nunca foi um jornalista puro mas também admitiu numa entrevista que em algum momento pode acontecer fundar um jornal, necessariamente de esquerda. Já vamos saber se essa hipótese continua em cima da mesa e porquê. Sobre a infância, recorda aquilo que pode ser a construção de uma infância feliz, onde a sua fotografia era a única ao lado da cama do quarto do pai, facto que lhe deu, silenciosa mas firmemente, a convicção de ser a pessoa mais importante da vida de José Manuel Osório. Este pai, que foi figura pública por ter assumido a doença da Sida numa altura em que mal de falava dela, e que Luís Osório entrevistou para a televisão pública porque, e passo a citar "queria dizer ao mundo "eu sou filho deste homem”". Tem 4 filhos, 3 rapazes e uma rapariga, e diz que são eles que asseguram a sua desmultiplicação por caminhos que já não lhe pertencem. Por falar em filhos, acredita que amar é sempre para sempre.
01:41:18
April 18, 2022
O Poema Ensina a Cair - Maria José Morgado
Maria José Morgado nasceu em Angola, em 1951. Veio para Portugal aos 6 anos, para Trás-os-Montes e, logo nessa primeira infância, deu de frente com uma pobreza generalizada em que, por exemplo, as crianças iam para a escola descalças em pleno inverno. Acredita que estará aí a origem da sua militância político-partidária futura - uma motivação grande para acabar com a pobreza. Estudou direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde conheceu José Luís Saldanha Sanches, com quem viria a casar. Lutaram juntos contra o regime de Salazar, e foram juntos militantes do MRPP. Esteve presa, foi torturada com um cavalo-marinho e submetida à tortura do sono - 7 noites sem dormir -, mas nunca cedeu a denunciar nomes ou a organização. Durante o período que passou na cadeia morreu a tia e madrinha Laura, uma das figuras centrais da sua vida. Haveria de dar esse mesmo nome à filha. Acabou por desencantar-se com a política e concorrer para o Ministério Público. Entrou com a melhor classificação. São conhecidos os méritos na sua carreira pública de luta contra a corrupção. De resto, recentemente foi duplamente reconhecida pelo Prémio Tágides nas categorias "Iniciativa Política" e "Investigação", pelo seu papel ativo no combate contra a corrupção. Dedicou estas distinções à sociedade civil anónima, sofredora, combativa" que quer "lutar pela igualdade com critérios de ética e transparência". Esta preocupação social acompanha Maria José Morgado desde cedo, e não parece ter vindo a desvanecer-se com o tempo. Pelo contrário. Neste momento está jubilada das funções no Ministério Público, mas, recentemente, afirmou numa entrevista que “a luta contra a corrupção é um pilar de um estado de direito”.
01:18:01
April 04, 2022
O Poema Ensina a Cair - Correntes D`Escritas
A 23ª edição das Correntes D`Escritas, Festival Literário na Póvoa de Varzim, decorreu este ano entre os dias 22 e 26 de Fevereiro. Ao longo dos 5 dias, passaram pelos vários espaços do Festival mais de 60 oradores. As 9 mesas de debate tiveram como ponto de partida títulos de músicas, e passaram por lá, como costuma acontecer, autores nacionais e estrangeiros. Além dos temas em debate, houve também lugar a 30 lançamentos de livros inéditos, 4 exposições, assim como sessões com os autores nas freguesias, em espaços culturais e escolas.  O Poema Ensina a Cair esteve na Póvoa de Varzim durante uma parte do Festival Literário, e conversou com autores e editores. A poesia foi o ponto de partida mas as entrevistas, por vezes, seguiram outros trilhos.  Isaque Ferreira, Afonso Cruz, Yara Nakahanda Monteiro, Manuel Vilas, José Luís Peixoto, Manuel Halpern, Inês Lourenço, António Amaral Tavares, Filipa Leal, Elena Medel e Luís Carmelo.  Autoria de Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. 
01:33:55
March 21, 2022
O Poema Ensina a Cair: Joel Neto
Joel Neto nasceu na ilha Terceira, nos Açores, e mudou-se para Lisboa aos 18 anos, para estudar Relações Internacionais no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Foi jornalista, repórter, editor, e chefe de redacção em vários jornais e revistas, mas em 2012 regressou à ilha natal, ao lugar de Dois Caminhos na freguesia de Terra Chã, para se dedicar à literatura. A ideia era ficar 4 ou 5 anos, mas não saiu mais. Se olharmos para os livros publicados desde então assim como o reconhecimento que a crítica lhes vem dando, podemos dizer que a aposta foi bem-sucedida. Esta propensão para a escrita materializou-se, então, nos livros publicados, mas já o acompanha desde cedo. Quando chegou ao jornal Record, com apenas 21 anos, levou para a mesa de trabalho da redacção o dicionário de sinónimos, gesto que levou o editor do jornal a comentar “lá me saiu mais um príncipe da escrita”. Príncipe da Escrita, explicou Joel Neto numa crónica publicada no Diário de Notícias "era como alguns jornalistas da velha guarda chamavam, não aos tipos que sabiam escrever, mas aos que tinham a mania que sabiam escrever. Ali ninguém sabia escrever: quando muito, tinha a mania.” Diz que um escritor é um solitário e, talvez por isso, tenha encontrado o abrigo certo para a escrita no lugar da Ilha Terceira onde escolheu viver. Há a natureza, ali no jardim de casa e em tantos outros caminhos da Ilha, os animais do campo e os domésticos (Joel Neto tem 2 cães), os vizinhos “de modos simples e vocação filosófica”, a expressão é sua, e ainda, outra expressão sua: a “rotina dos silêncios”.
01:49:02
March 14, 2022
Leituras: Raymond Carver
Leitura de um poema de Raymond Carver por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Trocando Dólares por Cêntimos (Alguma Poesia Norte-Americana), versões de Luís Filipe Parrado, edição Contracapa 
03:53
March 10, 2022
Leituras: Alejandra Pizarnik
Leitura de um poema de Alejandra Pizarnik por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Alejandra Pizarnik, Antologia Poética, tradução de Fernando Pinto do Amaral, edição Tinta da China
02:26
March 09, 2022
Leituras: António José Fernandes
Leitura de um poema de António José Fernandes por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Ainda Não é Tarde e Outros Poemas, edição Medula 
02:24
March 08, 2022
Leituras: Luís Filipe Parrado
Leitura de um poema de Luís Filipe Parrado por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteve da Silva. Livro: Casa, edição Do Lado Esquerdo 
02:36
March 06, 2022
Leituras: Patrizia Cavalli
Leitura de um poema de Patrizia Cavalli por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Um Pouco do Meu Sangue (Antologia de Poesia Italiana), selecção e tradução de João Coles, edição Contracapa
02:04
March 05, 2022
Leituras: Rui Knopfli
Leitura de um poema de Rui Knopfli por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Uso Particular, edição Do Lado Esquerdo 
02:44
March 04, 2022
Leituras: Pier Paolo Pasolini
Leitura de um poema de Pier Paolo Pasolini por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Um Pouco do Meu Sangue (Antologia de Poesia Italiana), selecção e tradução de João Coles, edição Contracapa 
02:28
March 03, 2022
Leituras: Pablo García Casado
Leitura de um poema de Pablo García Casado por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Faróis Acesos à Procura do Oceano, tradução de Maria Sousa, edição Do Lado Esquerdo.
02:07
March 02, 2022
Leituras: Hannes Pétursson
Leitura de um poema de Hannes Pétursson por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Pelos Nossos Corações Passa a Linha de Fogo (Antologia de poesia Islandesa), poemas vertidos para português por Amadeu Baptista, edição Contracapa 
02:34
March 01, 2022
Leituras: Otavio Paz
Leitura de um texto de Otavio Paz por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Areias Movediças - Águia ou Sol, tradução de Liliana Verças e Ricardo Ribeiro, edição Sr. Teste 
04:60
February 28, 2022
Leturas: Gregory Corso
Leitura de um poema de Gregory Corso por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Gasolina, tradução de Hugo Pinto dos Santos, edição Barco Bêbado
02:14
February 27, 2022
Leituras: Carlos Drummond de Andrade
Leitura de um poema de Carlos Drummond de Andrade por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Carlos Drummond de Andrade, Antologia Poética, edição D. Quixote 
02:34
February 26, 2022
Leituras: José de Almada Negreiros
Leitura de um texto de José de Almada Negreiros por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: A Invenção do Dia Claro, edição Assírio & Alvim. 
05:47
February 25, 2022
Leituras: Margarida Vale de Gato
Leitura de um poema de Margarida Vale de Gato por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Atirar Para o Torto, edição Tinta da China 
02:27
February 24, 2022
Leituras: Fernando Pessoa (Ortónimo)
Leitura de um poema de Fernando Pessoa por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Fernando Pessoa, Poesias - Ortónimo, edição Porto Editora 
00:55
February 23, 2022
Leituras: Ron Padgett
Leitura de um poema de Ron Padgett por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Ron Padgett, Poemas Escolhidos, tradução de Rosalina Marshall, edição Assírio & Alvim
02:34
February 22, 2022
O Poema Ensina a Cair: Ana Bacalhau
Ana Bacalhau nasceu em 1978. Quando era criança, acalentava o sonho de vir a tornar-se professora de Português e Inglês, e fez formação superior nessa área. Tirou o curso de Línguas e Literaturas Modernas, na vertente de língua portuguesa e língua inglesa, além de uma pós-graduação em ciências documentais. Terá sido essa uma das portas para a profissão de arquivista, profissão que viria a abandonar para se dedicar profissionalmente à banda Deolinda. Mas a Deolinda, projeto que levou Ana Bacalhau ao grande público, está longe de ser a primeira experiência musical da nossa convidada. A música entrou-lhe pela vida adentro ainda na adolescência, primeiro através das vozes que escutava, onde se incluem Nina Simone ou Beatles, depois através das aulas de guitarra que pediu aos pais insistentemente, e que a ajudaram a descobrir a sua voz musical. Em 2001 estreia-se como vocalista numa banda chamada Lupanar, e em 2005 integrou um trio de jazz chamado Tricotismo. O projeto Deolinda nasceu em 2006. Em 2017 lançou um disco a solo a que, muito apropriadamente, chamou “Nome Próprio” e há poucos meses, em plena pandemia e também na sequência do isolamento a que todos nos vimos obrigados, lançou o álbum “Além da Curta Imaginação”. Um trabalho que, de certa forma, é também o resultado de um percurso de superação, refletido, por exemplo, na letra “Que me Interessa a Mim” de sua autoria. Disse numa entrevista: "Fui eu que escrevi a canção, tem um pouco um percurso que eu fiz de muita insegurança, muito escrutínio que os outros faziam sobre mim a pesar-me, e o caminho que eu fiz de libertação disso. Essa libertação absoluta do caminho que os outros querem traçar como meu, eu recuso em absoluto. Eu quero traçar o meu próprio caminho.” Gosta de ler, de cozinhar, da natureza, da empatia – a sua virtude preferida -, do ócio – a sua ocupação favorita -, e tem como ideais de felicidade coisas como dar um bom concerto, ver um bom concerto, ler um livro, ver um filme, dançar, passar horas a desfrutar da companhia da filha, família e amigos. Não tem heróis na ficção porque prefere anti-heróis, e será talvez por isso que o seu autor preferido em prosa Dostoievsky. Tem uma divisa preferida do escritor francês Andre Gide que diz: "É melhor sermos odiados pelo que somos, do que sermos amados pelo que não somos”.
01:31:04
February 21, 2022
Leituras: Manoel de Barros
Leitura de um poema de Manoel de Barros por Raquel Marinh. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: O Livro das Ignorãças, edição Record 
02:42
February 20, 2022
Leituras: Henri Michaux
Leitura de um poema de Henri Michaux por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Henri Michaux, Antologia, tradução de Margarida Vale de Gato, edição Relógio D´Água 
02:52
February 19, 2022
Leituras: Alberto de Lacerda
Leitura de um poema de Alberto de Lacerda por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Labareda, edição Tinta da China 
02:26
February 18, 2022
Leituras: Konstandinos Kavafis
Leitura de um poemas de Konstandinos Kavafis por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Konstandinos Kavafis, Os Poemas, tradução, prefácio e notas de Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis, edição Relógio D´Água 
02:31
February 17, 2022
Leituras: Fernando Assis Pacheco
Leitura de um poema de Fernando Assis Pacheco por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: A Musa Irregular (edição aumentada), edição Tinta da China 
02:25
February 16, 2022
Leituras: Miguel-Manso
Leitura de um poema de Miguel-Manso por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Estojo, edição Relógio D´Água 
02:26
February 15, 2022
Leituras: Mário Cesariny
Leitura de um poema de Mário Cesariny por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Pena Capital, edição Assírio & Alvim 
02:12
February 14, 2022
Leituras: Paul Éluard
Leitura de um poema de Paul Éluard por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: A Cama, A Mesa, tradução de Luís Lima, edição Barco Bêbado 
02:58
February 13, 2022
Leituras: Daniel Faria
Leitura de um poema de Daniel Faria por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Daniel Faria - Poesia, edição Quasi 
02:37
February 12, 2022
Leituras: António Botto
Leitura de um poema de António Botto por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Cem Poemas para Salvar a Nossa Vida, edição Quetzal 
02:37
February 11, 2022
Leituras: Catarina Nunes de Almeida
Leitura de um poema de Catarina Nunes de Almeida por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Voo Rasante, edição Mariposa Azual 
02:14
February 10, 2022
Leituras: António José Forte
Leitura de um poema de António José Forte por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Uma Faca nos Dentes, edição Parceria A. M. Pereira 
02:41
February 09, 2022
Leituras: Hilda Hilst
Leitura de um poema de Hilda Hilst por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Da Poesia, edição Companhia das Letras 
02:16
February 08, 2022
O Poema Ensina a Cair - Marcos Caruso
Marcos Caruso nasceu em São Paulo, em 1952. É actor, guionista, encenador, e um dos autores de teatro mais bem sucedidos do Brasil, com uma carreira que já conta mais de 50 anos na televisão, teatro e cinema. Começou a representar aos 14 anos no grupo de teatro amador da biblioteca infantojuvenil Monteiro Lobato, localizada em frente à casa onde morava, em São Paulo. Acabaria por dirigir esse projeto durante muitos anos. A pedido do pai, estudou Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, Universidade de São Paulo, mas logo no primeiro dia de aulas matriculou-se nas aulas de teatro da universidade. Por causa desta experiência na faculdade, acabaria por ajudar a fundar dois grupos de teatro que encenavam peças políticas, "União" e "Olho Vivo", em plena ditadura militar. A sua participação nos grupos de teatro da faculdade rendeu-lhe depois o convite para actuar na sua primeira peça, Rei Momo, em 1973. A estreia na televisão seria 5 anos depois com a novela "Aritana" da antiga Rede Tupi. Ao longo dos últimos 40 anos, participou de algumas das produções mais marcantes da televisão brasileira mas o seu nome está também inscrito na história do teatro brasileiro de forma singular. Nos anos 80, usou uma máquina de escrever para escrever, em 3 dias, a peça “Trair e Coçar é Só Começar”. Entregou-a a um encenador de comédias teatrais que a guardou na gaveta durante 6 anos. Estreou finalmente em 1986, e esteve mais de 32 anos em cena, ininterruptamente. É a peça de teatro há mais tempo em cartaz no Brasil, o que lhe valeu quatro menções no Guiness. Já foi vista por mais de cinco milhões e 500 mil espectadores em mais de nove mil apresentações. Está em Portugal para subir ao palco, pela terceira vez, com a peça Intimidade Indecente. 
01:27:29
February 07, 2022
Leituras: Herberto Helder
Leitura de um poema de Herberto Helder por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Ofício Cantante (Poesia Completa), edição Assírio & Alvim 
03:44
February 07, 2022
Leituras: Antero de Quental
Leitura de um poema de Antero de Quental por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Sonetoes, edição Ulmeiro
02:32
February 06, 2022
Leituras: Boris Vian
Leitura de um poema de Boris Vian por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Canções e Poemas, tradução de Irene Freire Nunes e Fernando Cabral Martins, edição Assírio & Alvim 
02:45
February 05, 2022
Leituras: Edward Thomas
Leitura de um poema de Edward Thomas por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Três Bucólicos Ingleses, selecção e tradução de Ricardo Marques, edição Elysium 
02:60
February 04, 2022
Leituras: Jorge Sousa Braga
Leitura de um poema de Jorge Sousa Braga por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: O Poeta Nu (poesia reunida), edição Assírio & Alvim 
05:09
February 03, 2022
Leituras: W. H. Auden
Leitura de um poema de W. H. Auden por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Outro Tempo, tradução e introdução de Margarida Vale de Gato, edição Relógio D´Água 
02:47
February 02, 2022
Leituras: John Clare
Leitura de um poema de John Clare por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Três Bucólicos Ingleses, selecção e tradução de Ricardo Marques, edição Elysium. 
02:48
February 01, 2022
Leituras: Carlos de Oliveira
Leitura de um poema de Carlos de Oliveira por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Trabalho Poético, edição Assírio & Alvim 
02:23
January 31, 2022
Leituras: Pedro da Silveira
Leitura de poema de Pedro da Silveira por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Fui ao Mar Buscar Laranjas (poesia reunida), edição Instituto Açoriano de Cultura 
02:04
January 30, 2022
Leituras: Jorge Roque
Leitura de poema de Jorge Roque por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Revista Nervo, número 8. 
05:20
January 29, 2022
Leituras: Nina Rizzi
Leitura de um poema de Nina Rizzi por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Sereia no Copo de Água, edições Jabuticaba 
02:42
January 28, 2022
Leituras: Joaquim Castro Caldas
Leitura de um poema de Joaquim Castro Caldas por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Só Cá Vim Ver o Sol, edição Quasi 
02:56
January 27, 2022
Leituras: Hélia Correia
Leitura de um poema de Hélia Correia por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Acidentes, edição Relógio D`Água 
03:08
January 26, 2022
Leituras: José Miguel Silva
Leitura de um poema de José Miguel Silva por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Vista para um Pátio Seguido de Desordem, edição Relógio d`Água 
02:60
January 25, 2022
O Poema Ensina a Cair - António Bagão Félix
António Bagão Félix nasceu em Ílhavo, a 9 de abril de 1948. Estudou no Liceu Nacional de Aveiro, onde se destacou pelas boas notas, mas também pela conduta enquanto cidadão - foi escolhido como o "Aluno de Melhor Carácter" quando frequentava o sétimo ano. Aos 17 anos, mudou-se para Lisboa para estudar Finanças e licenciou-se no Instituto Superior de Economia e Gestão. Começou a trabalhar aos 21 anos, na área de gestão, em empresas de seguros. Entrou na política aos 31 anos, quando assumiu o cargo de Secretário de Estado da Segurança Social no governo da Aliança Democrática liderado por Francisco Pinto Balsemão. O convite foi feito por Morais Leitão, que tinha sido ministro dos Assuntos Sociais no Governo anterior, liderado por Francisco Sá Carneiro. Ao longo dos anos nunca deixou de estar ligado ao CDS, e acumulou lugares de destaque na gestão e na política.  O currículo profissional de António Bagão Félix é vasto e diversificado, mas a vida do nosso convidado fez-se também de outros interesses e prioridades: assume-se como um homem de fé com uma educação religiosa rigorosa, onde chegou a aventar-se a ideia de que viria a ser padre. Há também o interesse pela botânica, um tema tão importante na vida do nosso convidado, que lhe dedica o tempo suficiente para escrever livros sobre o assunto e influenciou também as escolhas poéticas que trouxe para a conversa. 
01:50:00
January 24, 2022
Leituras: Miguel Martins
Leitura de um poema de Miguel Martins por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Do Lado de Fora, edição Abysmo 
02:21
January 24, 2022
Leituras: Manuel António Pina
Leitura de um poema de Manuel António Pina por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Todas as Palavras (Poesia Reunida), edição Assírio & Alvim 
02:23
January 23, 2022
Leituras: Manuel Bandeira
Leitura de um poema de Manuel Bandeira por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Manuel Bandeira, Antologia, edição Relógio D´Água 
02:55
January 22, 2022
Leituras: Rui Costa
Leitura de um poema de Rui Costa por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: As Limitações do Amor São Infinitas, edição Sombra do Amor 
02:35
January 21, 2022
Leituras: António Manuel Couto Viana
Leitura de um poema de António Manuel Couto Viana por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Restos de Quase Nada e Outras Poesias, edição Averno 
01:59
January 20, 2022
Leituras: António Osório
Leitura de um poema de António Osório por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Casa das Sementes, edição Assírio & Alvim 
02:46
January 19, 2022
Leituras: António Barahona
Leitura de um poema de António Barahona por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Pássaro-Lyra, edição Averno 
02:02
January 18, 2022
Leituras: Angélica Freitas
Leitura de um poema de Angélica Freitas por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Um Útero é do Tamanho de um Punho, edição Douda Correria 
02:17
January 17, 2022
Leituras: Pedro Oom
Leitura de um poema de Pedro Oom por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Única Real Tradição Viva, Antologia da Poesia Surrealista Portuguesa de Perfecto E. Cuadrado, edição Assírio & Alvim 
02:49
January 16, 2022
Leituras: Mário Henrique Leiria
Leitura de um poema de Mário Henrique Leiria por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Única Real Tradição Viva, Antologia da Poesia Surrealista Portuguesa de Perfecto E. Cuadrado, edição Assírio & Alvim 
04:22
January 15, 2022
Leituras: Adília Lopes
Leitura de um poema de Adília Lopes por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Dobram edição Assírio & Alvim 
02:35
January 14, 2022
Leituras: Hans Magnus Enzensberger
Leitura de um poema de Hans Magnus Enzensberger por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: 66 poemas, tradução, notas e posfácio de Alberto Pimenta, edição Edições do Saguão. 
03:55
January 13, 2022
Leituras: Wislawa Szymborska
Leitura de um poema de Wislawa Szymborska por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Instante, tradução de Elzbieta Milewska e Sérgio Neves, edição Relógio D´Água 
03:14
January 12, 2022
Leituras: Manuel Resende
Leitura de um poema de Manuel Resende por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Manuel Resende, Poesia Reunida, edição Cotovia 
02:53
January 11, 2022
Leituras: Paulo Leminski
Leitura de um poema de Paulo Leminski por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Toda Poesia, edição Companhia das Letras 
02:04
January 10, 2022
O Poema Ensina a Cair - Hugo Van Der Ding
Hugo Van Der Ding nasceu em Lisboa, em 1976. Não gosta que lhe chamem humorista, mas a verdade é que nos põe a rir há muitos anos. Além das famosas tiras partilhadas nas redes socias, onde consta, por exemplo, A Criada Malcriada ou a psicanalista Juliana Saavedra, é cartonista, cronista, escritor, autor de teatro, ator, apresentador de rádio e televisão, entre outros ofícios. No entanto, diz nas entrevistas, que quando for grande, o que quer mesmo fazer é ser escritor de romances, e que tem guardados no computador cerca de uma dezena livros prontos. Quando era criança queria ser ator ou tirar o curso de direito para seguir a carreira diplomática e viajar. Chegou a entrar em Direito, mas desistiu ao fim de um ano, e decidiu que queria correr o mundo e apenas voltar para casa aos 90 anos depois de conhecer todos os países do nosso planeta. Viveu em Londres 6 meses, mas um dia, depois de se aperceber que nas ruas daquela cidade as pessoas não olham para a cara umas para as outras, mudou-se para Amsterdão onde esteve dos 23 aos 28 anos. Viveu na capital holandesa os importantes anos do início da idade adulta, e foi também lá que começou a trabalhar e a ganhar dinheiro. Trabalhou num escritório, numa grande empresa de comunicações, e até chegou a ser promovido mais do que uma vez, mas acabaria por sair e regressar a Portugal, provavelmente porque não nasceu para o típico trabalho das 9 às 5. Aliás, disse numa entrevista que os anos em Amsterdão foram importantes e formadores por tudo o que viveu fora do escritório, não necessariamente a trabalhar.
01:38:13
January 10, 2022
Leituras: Billy Collins
Leitura de um poema de Billy Collins por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Amor Universal, edição Averno 
03:06
January 09, 2022
Leituras: Emanuel Félix
Leitura de um poema de Emanuel Félix por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: A Viagem Possível (Poesia 1965-1981), edição Secretaria Regional de Educação e Cultura, Angra do Heroísmo 
02:32
January 08, 2022
Leituras: Alberto de Serpa
Leitura de um poema de Alberto de Serpa por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: A Poesia de Alberto de Serpa, edição Campo das Letras
03:49
January 07, 2022
Leituras: Pedro Homem de Mello
Leitura de um poema de Pedro Homem de Mello por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Eu, Poeta e Tu, Cidade, edição Quasi 
02:38
January 06, 2022
Leituras: Mary Oliver
Leitura de um poema de Mary Oliver por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Felicidade, tradução de Luís Matos, edição Flaneur 
02:34
January 05, 2022
Leituras: Rui Pires Cabral
Leitura de um poema de Rui Pires Cabral por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Morada, edição Assírio & Alvim 
02:49
January 04, 2022
Leituras: Denise Levertov
Leitura de um poema de Debise Levertov por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva. Livro: Este Grande Não-Saber, tradução de Andreia C. Faria e Bruno M. Silva, edição Flaneur 
03:32
January 03, 2022
Leituras: Alberto Caeiro/ Fernando Pessoa
Leitura de um poema de Alberto Caeiro por Raquel Marinho.  Livro: Poemas Completos de Alberto Caeiro, recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha, edição Presença 
03:05
January 02, 2022
Leituras: Charles Bukowski
Leitura de um poema de Charles Bukowski por Raquel Marinho. Música de João Paulo Esteves da Silva.  Livro: Os Cães Ladram Facas (Antologia Poética), seleção e prefácio de Valério Romão, tradução de Rosalina Marshall, edição Alfaguara
03:50
January 01, 2022
O Poema Ensina a Cair - Nuno Artur Silva
Nuno Artur Silva nasceu em Outubro de 1962. Ainda na adolescência, enquanto frequentava o Liceu Pedro Nunes, integrou um grupo de teatro anarquista. Na faculdade, onde tirou o curso de Línguas e Literaturas Modernas, criou um grupo de teatro de peças cómicas ao lado de Rui Cardoso Martins. Percebeu que não queria ser ator, ou que não teria talento para a demanda da representação, e acabou por abandonar esse projeto e esse ambiente e ligar-se a um grupo de literatura, onde conheceu, entre outros, o poeta Al Berto e o antigo editor da Assírio & Alvim Hermínio Monteiro, com quem viria a organizar recitais de poesia.  Depois da faculdade, deu aulas no ensino secundário ao longo de 7 anos em Lisboa, Cacém e Oeiras, mas continuou a escrever, tanto ficção como poesia. Disse numa entrevista que nesta fase da vida "tinha uma vaga ideia que era escrever para teatro, cinema, televisão, banda desenhada - essa ideia de escrever para. Porque era o princípio de trabalho com o outro". Em simultâneo com a atividade letiva, envia textos de humor para a RTP, ignorados durante algum tempo, mas depois lidos por José Nuno Martins, que o chama para escrever sketches para o programa Joaquim Letria, da RTP2. Mais tarde, estreia-se a escrever sozinho as aberturas do programa Parabéns de Herman José, um desafio profissional que o obriga a fazer uma escolha, no mínimo curiosa: pela mesma altura tinha sido convidado pela pessoana Teresa Rita Lopes para trabalhar na tão famosa Arca de Fernando Pessoa. Escolheu escrever para Herman José. Em 1993, fundou as Produções Fictícias, agência e rede criativa, ao lado de Rui Cardoso Martins, Miguel Viterbo e José de Pina, empresa que se torna um marco na produção de conteúdos de humor em Portugal. Mais tarde, foi também fundador do Canal Q. Uma carreira longa, onde houve espaço para ser ficcionista, argumentista, dramaturgo, produtor, programador, apresentador, escritor, cronista e empresário. Recentemente, administrador da RTP – entre 2015 e 2018, e Secretário de Estado do Cinema, Audiovisual, e Média, desde 2019 e até agora. Sobre esta experiência mais recente, disse numa entrevista que não é um político profissional mas que, estando na política provisoriamente, a valoriza muito. De resto, defende que o caminho "não é desdenhar a política mas participar dela, e exigir dela". 
01:46:56
December 27, 2021
O Poema Ensina a Cair - Mafalda Veiga
Mafalda Veiga nasceu em Lisboa a 24 de dezembro de 1965, onde viveu a maior parte da sua vida. Passou a infância e a adolescência em Espanha, e desse período no país vizinho ficou-lhe, entre outras coisas, o gosto da rua, de estar na rua com os amigos. Bisneta do pintor Simão da Veiga, quando era criança chegou a ter aulas de pintura com o desejo de um dia ser pintora, mas o destino haveria de ser outro. Quando o pai lhe ofereceu uma viola e aprendeu a tocar, iniciou, digamos, uma relação para a vida. O tio Pedro da Veiga teve um papel importante nessa aproximação à música – era guitarrista de fado e não só ensinou Mafalda Veiga a tocar, como a levou, ainda pequena, a algumas casas de fado onde a nossa convidada se estreou a cantar ao vivo. Poucos anos depois, ainda na adolescência, percebeu que, além de cantar, queria compor e escrever as suas próprias canções. Começou a escrever e a compor ainda adolescente, e antes de entrar na faculdade, no curso de Línguas e Literaturas Modernas, na Faculdade de Letras de Lisboa.  Estava ainda no segundo ano quando lançou o primeiro disco, Pássaros do Sul. Um sucesso de vendas, disco de prata em apenas um mês, e uma vida nova a começar. Por causa da música e da composição, saiu muito depressa desse lugar anónimo de observadora dos outros e de compositora desconhecida, para as luzes e os vários palcos que o sucesso traz. Terminou, portanto, o curso superior entre a escrita de canções e os concertos, e desde então, ao longo de mais de 30 anos de composição, editou vários álbuns, alguns deles discos de prata e de platina, com músicas que permanecem no ouvido de milhares de portugueses. Fala da composição como, e vou citar, “o chão de tudo”, explicando que “se não fosse compositora não estaria na música porque aquilo que mais gosto na expressão artística é precisamente a criação e a construção”.
01:28:06
December 13, 2021
O Poema Ensina a Cair - António Costa Silva
António Costa Silva nasceu em 1952 em Angola, numa terra da província do Bié chamada Nova Sintra, depois renomeada Catabola. Estudou no Colégio dos Maristas no Cuíto, em regime interno, e depois na Universidade de Luanda, Engenharia de Minas. Esses primeiros anos da idade adulta na capital angolana foram, nas palavras do nosso convidado, “uma revelação”. Integrou o Círculo Universitário de Cinema e esteve na origem da criação da Associação de Estudantes, onde desenvolveu dotes de oratória em assembleias com milhares de pessoas. Referiu em várias entrevistas que, por essa altura, era um jovem maoista que “queria mudar o mundo”. Por razões políticas, e também por um enorme equívoco, foi detido em Luanda no dia 22 de Dezembro de 1977, três dias antes do Natal, tornando-se vítima de uma purga levada a cabo por Agostinho Neto, em resposta à tentativa de golpe de estado de Nito Alves, em Maio do mesmo ano. Como ele, milhares de pessoas foram vítimas do ajuste de contas dos dirigentes do MPLA, detidas sem culpa formada ou julgamento, sujeitas a tortura durante vários anos. Os fuzilamentos sumários foram outra realidade desse período da história angolana e o nosso convidado chegou a estar perante um pelotão de fuzilamento por se ter recusado a assinar uma confissão de que era um agente da CIA, e por ter escrito numa folha de papel onde lhe pediram para fazer o seu testamento as palavras “a vida é bela”. Vendaram-no, algemaram-no atrás das costas, e levaram-no para a praia onde ocorriam os fuzilamentos. Chegou a ouvir o som da culatra, mas depois, no último momento não dispararam - ainda hoje não sabe porquê. Esta terá sido a experiência mais traumática dos anos de prisão de António Costa Silva na prisão de São Paulo, onde viveu também torturas sistemáticas, dia sim dia não, às quais sobreviveu, e passo a citar, devido ao pensamento: “o cérebro humano é o instrumento mais poderoso que temos… eu procurava no meu pensamento reproduzir as leituras, as poesias, os livros de que gostava. Foi aí que comecei a escrever poesia. Escrevia na minha cabeça porque não tinha papel nem caneta”, fim de citação. Terá, então, sido salvo de três anos de escuridão pelo pensamento, e será por isso que gosta tanto do provérbio angolano que diz “o pirilampo é um animal sábio porque usa a escuridão para se iluminar”. De resto, assume-se como um homem que nunca se demitiu de pensar, de dizer o que pensa, e que nunca se recusou à aventura de viver, mesmo quando essa aventura exige revolver a terra, ou seja, revolver-se a ele próprio. Em 2020, foi escolhido por António Costa para desenhar a estratégia económica de Portugal para a próxima década.
01:37:27
November 29, 2021
O Poema Ensina a Cair - Tozé Brito
Chama-se António José Correia de Brito mas conhecemo-lo por Tozé Brito. Nasceu em Ermesinde, em 1951, e viveu no Porto até aos 18 anos, altura em que José Cid o desafia para tocar como músico profissional no Quarteto 1111, e se muda para Lisboa. Essa mudança definiu uma carreira de sucesso na música, que lhe trouxe fama e reconhecimento nacional e internacional, mas o percurso musical do nosso convidado começa muito mais cedo, em casa. O pai tocava viola, o tio também; o bisavô tinha sido professor de música e o irmão dele maestro. Aos 14 anos Tozé Brito decide formar um grupo musical e aos 16 grava o primeiro álbum, logo com uma letra de sua autoria chamada “you´ll see”.  Músico, letrista, compositor, autor e produtor de discos, A&R de multinacionais, vice-presidente e presidente de duas companhias - a BMG e a Universal - fez também música para teatro, cinema, televisão, e música infantil. Participou em 12 festivais da canção, ganhou 3, um como intérprete, 2 como autor. Foi 3 vezes à eurovisão. São dele algumas das canções que sabemos de cor e que hão de ficar na história da música portuguesa. Uma evidência que terá estado na origem do disco de tributo “Tozé Brito (de) Novo”, que lhe é dedicado e que acaba de sair, onde constam novas versões de algumas das composições mais emblemáticas do nosso convidado pela voz de cantores como Ana Bacalhau, Camané, António Zambujo, Joana Espadinha, Samuel Úria, Rita Redshoes, B Fachada, entre outros. 
01:56:10
November 15, 2021
O Poema Ensina a Cair - Luca Argel
Luca Argel nasceu no Rio de Janeiro, em 1988. Atualmente cantor e compositor de samba a viver em Portugal e cidadão português, começou por fazer o Curso Superior de Música no Rio de Janeiro e, ainda na faculdade, por dar aulas de música em ONG´s, escolas, ou lições particulares. Em 2012, estava a lecionar numa Escola Municipal do Rio de Janeiro e decidiu vir para Portugal fazer um mestrado em literatura, sem saber se o futuro voltaria a trazer-lhe a música de novo. Antes de chegar ao Porto, ainda lançou no Brasil o seu primeiro livro de poemas pela editora 7 Letras chamado "Esqueci de Fixar o Grafite". Haveria de publicar mais poesia, quer no Brasil, quer em Portugal. Já este ano saiu o seu quarto disco a solo em Portugal, e o primeiro de versões, ou covers. “Samba de Guerrilha” é um projeto musical e, simultaneamente, uma viagem narrativa pela história do Samba e dos primeiros sambistas, que é a história da luta da escravatura contra ditadura militar do Brasil, e uma homenagem aos protagonistas do combate ao racismo, à escravatura e às desigualdades no Brasil. Além de literatura e de música gosta de filmes baseados em banda desenhada, de histórias de super-heróis, de cemitérios “pela tranquilidade dos moradores”, de ambientes informais e de pijamas, "a invenção mais sublime da história da indumentária", fim de citação, pelo conforto que representam.
01:46:43
November 01, 2021
O Poema Ensina a Cair - Laurinda Alves
Laurinda Alves nasceu em Dezembro de 1961. Estudou no Liceu de Queluz, onde foi aluna de Teresa Belo, mulher do poeta Ruy Belo. Era muito boa aluna a português, e muito boa jogadora de basket, primeiro no Queluz, depois no CIF, onde foi campeã. Aos 17 anos participou num concurso para entrar na RTP, e foi selecionada entre mais de 2 mil candidatos. Como era menor de idade, não podiam legalmente contratá-la, mas disseram-lhe que esperariam que fizesse os 18 para entrar na empresa, e foi assim que começou no jornalismo, ao mesmo tempo que estudava Comunicação Social na Universidade Nova. Televisão, rádio, imprensa escrita, onde se destaca esse projecto de uma revista chamada XIS, mas também o programa de televisão verdes Anos ou a reportagem de investigação que lhe valeu, por exemplo, o Prémio Gazeta do Clube de Jornalistas pelo seu trabalho de investigação sobre o assassinato do general Humberto Delgado. Uma longa carreira ligada à palavra, à voz, e onde se inclui uma distinção com o grau de Comendador da Ordem do Mérito pelo debate e defesa das questões educativas, no ano 2000 pelo Presidente Jorge Sampaio. Um percurso para o qual, se olharmos através de uma rede mais apertada, encontramos uma constante no tratamento dos temas do jornalismo que dizem respeito ao outro e às muitas formas de lhe contar as histórias, como se o ângulo de observação da realidade de Laurinda Alves se construísse antes de mais através da pessoa e da sua singularidade, para depois lhe contar a história e partir daí para um tema maior. Atualmente é Professora de Comunicação, Liderança e Ética, na Nova SBE e Colunista no Observador, e acaba de ser eleita vereadora independente para a Câmara de Lisboa ao lado do novo presidente da autarquia Carlos Moedas. Lista de poetas: Novalis – “O amor é a finalidade final (…)” Novalis – “Existe em nós um sentido especial para a poesia (…)” Joseph Brodsky - No Centenário de Anna Akhmatova John Milton, Paraíso Perdido (livro III) – “Assim falou o astuto sem suspeita (…)” Ruy Belo – Uma Vez que Tudo Já se Perdeu Carlos Drummond de Andrade - Poema da Purificação João Cabral de Melo Neto – Deserto Sophia de Mello Breyner Andresen - A paz sem vencedor e sem vencidos Sophia de Mello Breyner Andresen – Dia Eclesiastes 3 – Tudo Tem o Seu Tempo Teixeira de Pascoaes – “Todo Princípio é fim (…)” António Barahona – Pôs-me Fora de Mim, o Teu Amor
01:45:24
October 18, 2021
O Poema Ensina a Cair - Luís Miguel Cintra
Luís Miguel Cintra nasceu em Madrid, em 1949. Foi um dos melhores alunos do Liceu Camões, onde partilhou sala de aula com António Guterres. Marcaram-no alguns professores desse período como Mário Dionísio, Vergílio Ferreira ou Bénard da Costa, mas também o contacto próximo com figuras importantes da cultura que eram visita de casa: Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Vitorino Nemésio, entre outros. Em 1966 entrou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa para fazer o curso de Filologia Românica. Foi lá que encontrou o teatro pela primeira vez fora de casa, uma vez que desde pequeno escrevia, encenava e representava peças para a família e amigos da casa, algumas das quais recorrendo a marionetas. O teatro universitário, onde foi actor e encenador, marca o início de uma escolha que viria a ser definitiva na vida de Luís Miguel Cintra. Depois de uma passagem por Bristol, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para estudar teatro, fundou, em 1973, a companhia de teatro Cornucópia ao lado de Jorge Silva Melo. Distinguido com vários prémios, entre os quais o Prémio Pessoa, recebeu também o Prémio Cultura Árvore da Vida Padre Manuel Antunes, uma figura que conheceu enquanto aluno universitário e de quem guarda recordações importantes e marcantes. Como declamador de poesia e prosa, gravou vários textos importantes da literatura portuguesa. Falamos da leitura integral para a rádio da obra Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, ou da gravação do Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco. Para cd gravou todas as canções de Luís de Camões, poemas de Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner Andresen, Ruy Belo, Gastão Cruz, entre outros. Considera a cultura “a coisa mais importante para modificar mentalidades e pessoas”.  Lista de poemas: Luís de Camões – Canção X Bernardim Ribeiro – Segunda Fiama Hasse Pais Brandão – No teatro – Ricardo III por Luís Miguel Cintra Luiza Neto Jorge – Morreu com o dia o sol fiel Sophia de Mello Breyner Andresen – final da peça “O Colar” Sophia de Mello Breyner Andresen – Goa José Tolentino Mendonça – Retrato de Pasolini em Nova Iorque Ruy Belo – Fala de um Homem Afogado ao Largo da Senhora da Guia no dia 31 de Agosto de 1971 Álvaro de Campos/Fernando Pessoa – Tabacaria Carlos de Oliveira – Descrição da Guerra em Guernica
01:53:15
October 04, 2021
O Poema Ensina a Cair - Jerónimo Pizarro
Se pudesse oferecer um presente a Fernando Pessoa, o meu convidado de hoje escolheria uma máquina fotográfica para que Pessoa nos ensinasse a fazer fotografias do imaginário. Jerónimo Pizarro, colombiano, um dos grandes pessoanos do nosso tempo, descobriu o poeta dos heterónimos algures entre a adolescência e a entrada na universidade, depois da leitura do Livro do Desassossego. Depois dessa leitura inicial quis conhecer Pessoa mais e melhor, e uns anos mais tarde, já em Portugal, confirmou o deslumbramento com o universo pessoano. Passo a citar: “Morri de amor pelo arquivo e pelas fontes. Acho que depois de procurar fontes nas montanhas mais altas da Colômbia precisava de encontrar os regatos, como diria Caeiro, ou melhor, as nascentes dos rios pessoanos.” Não sabemos se essa busca pelas nascentes pessoanas estará já concluída, mas o trabalho sobre o poeta da Ode Marítima mantém-se até hoje, não apenas na investigação como também na divulgação do enorme legado de Fernando Pessoa. Jerónimo Pizarro é professor, tradutor, crítico e editor, e também professor da Universidade dos Andes, titular da Cátedra de Estudos Portugueses do Instituto Camões na Colômbia e Prémio Eduardo Lourenço, em 2013. Lista de poetas: William Blake – The Tyger Jorge Luis Borges – El Mar Pablo Neruda – Walking Around Fernando Pessoa – Ulisses César Vallejo – Hay Golpes en la Vida Cesare Pavese – Virá a Morte e Terá os Teus Olhos Emilio Adolfo Westphalen – He Dejado Descansar Tristemente Mi Cabeza Gonzalo Rojas – El Sol es la Única Semilla Emily Dickinson – I´m Nobody! Who Are You? Sophia de Mello Breyner Andresen - Inscrição
01:43:20
July 26, 2021
O Poema Ensina a Cair - Tiago Nacarato
Tiago Nacarato nasceu e cresceu no Porto, mas podemos talvez dizer que encontra as suas principais raízes musicais no Brasil. Filho de pais brasileiros, sendo o pai músico, desde cedo escutou os ritmos daquele país e também quis aprender a tocar e cantar precocemente. Teve aulas de canto, guitarra, treino auditivo, teoria musical e combo a partir dos 18 anos, quando se inscreveu na escola de música Valentim de Carvalho. Anos depois, reencontrou as raízes brasileiras na Orquestra Orquestra Bamba Social como vocalista, projeto que juntou músicos luso-brasileiros residentes no Porto. Foi a passagem por um programa de televisão da RTP dedicado a descobrir novos talentos na música, que lhe trouxe projeção nacional. Depois do The Voice, dedicou-se então a apresentar em palco o seu trabalho a solo, e passou por espaços como o Centro Cultural de Belém, a Casa da Música, ou o Convento São Francisco, em Portugal. Também já cantou e esgotou salas no Brasil, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza ou Belo Horizonte, país onde se estreou em 2018. Em 2019 apresentou-se com um álbum de estreia chamado “Lugar-Comum”. Uma das canções desse disco, “A Dança”, foi nomeada para um Globo de Ouro na categoria de Melhor Música, em 2019. Está a preparar o segundo disco. Lista de poetas: Oswaldo Montenegro – Metade Rainer Maria Rilke – Cartas a um Jovem Poeta (dois excertos) Tom Zé - Tô Alberto Caeiro - O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Jacques Prévert – canção do carcereiro Chico Buarque e Gilberto Gil - Cálice Manel Cruz – O Navio Dela Gilberto Gil - Super-Homem Rupi Kaur - 2 poemas em inglês do livro "milk and honey"
01:19:36
July 12, 2021
O Poema Ensina a Cair - Carlos Tê
Para apresentarmos o nosso convidado desta semana usamos as suas palavras: “Gingando pela rua ao som do Lou Reed/ Sempre na sua sempre cheio de speed/ segue o seu caminho com merda na algibeira/ o Chico Fininho/ o freak da cantareira.” A música, cantada por Rui Veloso e lançada em 1980 no álbum Ar de Rock, tornou-se uma bandeira do rock português e é assinada, letra e música por Carlos Tê. Chama-se, na verdade, Carlos Alberto Gomes Monteiro e nasceu no Porto, Cedofeita, em 1955. Escreveu a primeira canção chamada “Oh Life” aos 15 anos, numa altura em que ouvia música e fazia letras sobretudo em inglês. A ligação à música é muito precoce e muito importante. Tão marcante que os amigos lhe chamavam o tarado da música. Com o tempo ficou o "T" de tarado e caiu o "M" de música, e assim nasceu o nome Carlos Tê, pelo qual é conhecido até aos dias de hoje. É unanimemente considerado um dos maiores letristas em língua portuguesa. Além das 10 canções de "Ar de Rock", o álbum que marca o início do rock português, e da longa parceria com Rui Veloso, escreveu letras para muitas outras bandas: Clã, Jafumega, Trovante ou Jorge Palma, são apenas alguns exemplos. Leitor de ficção e poesia, além de letrista publicou um romance e três contos, colaborou com revistas de poesia, mas confessou numa outra entrevista que lá no fundo gostaria de ser músico. Acredita que "toda a arte lúdica é uma forma de prolongar a infância". Lista de poetas: À espera dos Bárbaros, Konstantínos Kavafis Sempre me pareceu um pouco cobarde - Golgona Anghel No Livro de Leitura do 7º ano, Hans Magnus Enzenberger Entre a Cortina e a Vidraça, Alexandre O’Neil Holanda, Helberto Helder (d´Os Passos em Volta) A Passagem das Horas, Álvaro de Campos America, Allen Ginsberg Caprichos, Adília Lopes Pólo Norte, Jorge de Sousa Braga Invernáculo, Paulo Leminsky
01:43:22
June 28, 2021
O Poema Ensina a Cair - João Gesta
João Gesta nasceu em Matosinhos, em 1953. Dos anos de infância em Matosinhos recorda as assimetrias sociais, que lhe entraram pelos olhos adentro através, por exemplo, de alguns amigos de infância que andavam descalços, ou que encontravam na escola a única refeição durante o dia, pão e leite. Esse enquadramento deu-lhe uma consciência social que mantém até aos dias de hoje. Trabalhou na área do comércio de madeiras durante mais de 20 anos. Teve duas empresas, viajou mundo fora, mas faltava qualquer coisa, e é aí que entra a poesia. Deixou definitivamente o trabalho do comércio de madeiras para se dedicar exclusivamente à cultura no ano 2000. Primeiro com algumas experiências em bares e galerias de arte da cidade do Porto, depois, a partir de 2002, como programador do Teatro do Campo Alegre, onde assume a direção artística das Quintas de Leitura, esse caso raro de sucesso na literatura portuguesa, que esgota mensalmente um auditório com bilhetes pagos para ouvir e ver poesia. É um homem livre, apologista da liberdade livre de que falava Rimbaud, e encontramos essa liberdade na forma como encara e programa os espetáculos de poesia: não apenas um guião poético, mas um cruzamento de várias artes, que se interligam e se acrescentam, onde também deve existir espaço para o absurdo e o inesperado. Lista de poetas: Mário Cesariny - Ode Doméstica José Miguel Silva - Queixas de um Utente Fernando Assis Pacheco - Este Ministro é um Mentiroso Ana Hatherly - Esta Gente/Essa Gente Alexandre O´Neill - Pois Jorge Sousa Braga - Remos Luís Miguel Nava - ARS Poética Daniel Maia-Pinto Rodrigues - (Ela trincou o rissol) José Carlos Barros - Os Condicionamentos da Crítica Golgona Anghel - (Não me interessa o que)
01:25:43
June 14, 2021
O poema Ensina a Cair - José Eduardo Agualusa
José Eduardo Agualusa é um escritor amplamente premiado e traduzido, que escreve porque não sabe o fim da história. Ou seja, escreve livros porque também ele quer saber como acaba a narrativa que iniciou, e esse detalhe é o que o faz considerar que a sua profissão não é um trabalho, mas uma atividade lúdica. Assume-se como um Angolano em viagem, e de facto já viajou mundo fora muitas vezes, e já viveu em cidades como Lisboa, Luanda, Rio de Janeiro e Berlim. Atualmente, divide o seu tempo entre Lisboa e a Ilha de Moçambique. Gosta do mar, de dormir a sesta, de escutar os outros, “metade do trabalho do escritor”, em sua opinião. Acredita que um bom livro abre sempre espaço à aproximação ao outro e ao debate, e que por essa razão, a literatura aproxima as pessoas e pode evitar guerras e conflitos. Por outras palavras, defende a ideia de que ler ficção é, em última análise, uma atividade que aumenta o músculo da empatia. Lista de poetas: Leopold Sédar Senghor Nicolás Guillén Ruy Duarte de Carvalho Rui Knopfli Manoel de Barros Zetho Cunha Gonçalves Glória de Sant'Anna Ferreira Gullar Sophia de Mello Breyner Andresen Ana Paula Tavares
01:32:27
May 31, 2021
O Poema Ensina a Cair - Inês Meneses
Inês Meneses nasceu em 1971 e estreou-se na rádio aos 16 anos, na altura uma rádio local de Vila do Conde, a fazer noticiários. Depois de uma passagem pela rádio Nova Era, do Porto, seguiria para a TSF, onde permaneceu alguns anos. A Radar, rádio para onde se mudou depois, serviu de berço ao projecto “Fala com Ela”, um programa de entrevistas que são também conversas acolhedoras com pessoas de quem a Inês gosta ou que admira, e que se mantém agora na rádio Antena 1, e em podcast. Na mesma onda hertziana, e ao lado de Júlio Machado Vaz, fala sobre amor no programa “O Amor é”. Disse recentemente numa entrevista “costumo dizer que o amor é a maior distracção da morte”, o que pode levar-nos a adivinhar que esse grande tema da literatura de todos os tempos é também um dos grandes temas de interesse da nossa convidada. Lista de poemas: Henrik Nordbrandt - Esplanada Amalia Bautista - Conta-mo outra vez Ibn – Al Farid – O Amor Jorge Sousa Braga – Cinco Visões de uma Vulva Al Berto – Clamor Filipa Leal – No Princípio Era António Gancho - "Mostras-me o fim do mundo..." Joan Margarit – A rapariga no Semáforo Maria do Rosário Pedreira - "Dorme meu amor, que o mundo já viu morrer mais..." Pedro Mexia – Eternity (For Men)
01:27:58
May 17, 2021
O Poema Ensina a Cair - Joana Gama
Joana Gama nasceu em Braga, em 1983. Estudou no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, para onde entrou com 5 anos; no Royal Academy of Music, em Londres; e na Escola Superior de Música de Lisboa. Em 2010 concluiu o mestrado em Interpretação na Universidade de Évora onde defendeu, em 2017, a tese de doutoramento "Estudos Interpretativos sobre música portuguesa contemporânea para piano: o caso particular da música evocativa de elementos culturais portugueses". Tem um enorme fraquinho por Erik Satie - além de recitais dedicados ao compositor e pianista francês, dedicou-lhe também mais do que um disco, e teve ainda a ideia de criar um recital para crianças com obras de Satie comentadas chamado "Eu Gosto Muito do Senhor Satie". Além de tocar a solo e sobretudo como intérprete, também compõe e integra projectos musicais com outros músicos, como por exemplo o duo com Luís Fernandes. Do percurso de Joana Gama destaca-se também uma atenção às artes performativas. Encontramo-la no cinema, na dança, no teatro ou na fotografia. Lista de poemas: Burnt Norton - T. S. ELIOT Aquela Senhora tem um piano in O Guardador de Rebanhos - XI - Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) A possibilidade - João Luís Barreto Guimarães (Movimento) O do Amor - Regina Guimarães (Antes de mais e depois de tudo) As folhas da Cerejeira - Tonino Guerra (O Livro das Igrejas Abandonadas) Destinatário desconhecido - Retour à l'expediteur - Hans Magnus Enzensberger (66 Poemas) Poema à duração - Peter Handke Só gosto das pessoas boas - Adília Lopes (Estar em casa) Entreabre-me a porta - A. M. Pires Cabral (Cobra-d'água)
01:49:25
May 03, 2021
O Poema Ensina a Cair - Alberto Manguel
Alberto Manguel nasceu em Buenos Aires em 1948, e cresceu em Telavive e na Argentina. Aos 16 anos, trabalhava na livraria Pygmalion, em Buenos Aires, quando Jorge Luis Borges lhe pediu que lesse para ele em sua casa. Foi leitor de Borges entre 1964 e 1968, ano em que se mudou para a Europa. Viveu em vários países, entre os quais Espanha, França, Itália e Inglaterra. É ensaísta, romancista premiado e autor de vários best‑sellers internacionais, como "Dicionário de Lugares Imaginários", "Uma História da Curiosidade", "A Biblioteca à Noite" ou "Para uma História da Leitura". Escritor e bibliófilo, foi director da Biblioteca Nacional da Argentina entre 2016 e 2018. Em 2020, escolheu Lisboa para viver e doar a sua biblioteca de cerca de 40 mil livros. É na capital que vai dirigir uma biblioteca e centro de Estudos dedicado à história do Livro e da Leitura de vocação internacional, chamada Centro de Estudos da História da Leitura, sob gestão da EGEAC.  Lista de poemas: Johann Wolfgang von Goethe “Erlkönig” Anónimo - de Mother Goose Nursery Rhymes Robert Louis Stevenson - "Para Onde Vão os Barcos" Arthur Rimbaud - “Le Bateau Ivre” - "O Barco Ébrio" Alejandra Pizarnik - “Resgate” Miguel Hernández - “Fatiga tanto andar sobre la arena” Jorge Luis Borges - “Uma Bússola"  Edna St-Vincent Millay - “Dirge Without Music” Dante - "A Divina Comédia", de Purgatório, canto I:13-27 Nuno Júdice - “A luz de Lisboa”
01:22:55
April 19, 2021
O Poema Ensina a Cair - Márcia
Chama-se Ana Márcia de Carvalho Santos, mas conhecemo-la por Márcia. Nasceu em Lisboa, em 1982, e começou a tocar guitarra aos 12 anos. Estudou pintura na Faculdade de Belas Artes e estagiou em cinema documental. Ao mesmo tempo que fazia a formação académica, frequentou o curso de canto na escola de Jazz Hot Clube. Cantou no grupo popular Real Combo Lisbonense e na banda Ana's Blame. Foi com esta banda que se apresentou pela primeira vez ao vivo, no Teatro Gil Vicente, em Cascais, num concerto onde esteve o tempo todo a cantar sentada, porque nessa altura era ainda muito tímida em relação à exposição. Em 2009, com 20 anos, estreou-se com um EP de cinco temas chamado “Márcia”, onde constava a canção "A Pele que Há em Mim", que viria a gravar mais tarde com JP Simões. Depois deste, lançou 4 álbuns, “Dá”, “Casulo”, “Quarto Crescente” e “Vai vem”, editado em 2018.  Continua a gostar de discrição mas já aprendeu a domar a timidez. Em entrevistas passadas conta que é sempre autobiográfica nas canções. No último ano lançou um livro chamado “As Estradas São para Ir”, edição planeta, onde recupera alguns excertos de canções, mas também partilha poemas e textos mais uma vez intimistas e reveladores de uma proximidade e verdade que insiste em manter com o público. Neste episódio, também nos brinda com um mini-concerto. Lista de poemas: A Morte Saiu à Rua - Zeca Afonso Lavava no Rio Lavava - Amália Rodrigues Sete Anos de Pastor - Luís de Camões Não Sei se é Sonho ou Realidade - Fernando Pessoa Ela Tinha uma Amiga - Manuela de Freitas Cajuina - Caetano Veloso Avó Dores - Filipa Leal Contra a Maré - Carminho O Bule - Adília Lopes No dia do Teu Casamento - (Cátia Mazari) - A Garota Não
01:49:01
April 05, 2021
O Poema Ensina a Cair - Da Mundial da Poesia 2021 - Emissão Especial
No Dia Mundial da Poesia damos o microfone aos poetas portugueses contemporâneos para escutarmos os seus poemas. É apenas uma pequena amostra do que se faz hoje na poesia portuguesa, de certa forma representativa de várias gerações e vozes, tendo, no entanto, presente a ideia de que o universo da poesia portuguesa contemporânea é muito mais vasto. A ordem das leituras que se seguem é alfabética. O Poema Ensina a Cair deseja-lhe um Feliz Dia Mundial da Poesia.
01:24:02
March 21, 2021
O Poema Ensina a Cair - Afonso Cruz
Afonso Cruz nasceu em 1971, na Figueira da Foz. Em criança, o seu lugar preferido no mundo era em cima de uma árvore, hoje é perto dos amigos. Começou a ler muito cedo – o primeiro livro não infantil foi do autor russo Dostoievsky aos 12 anos - e acredita que o facto de escrever lhe aconteceu devido às inúmeras leituras que acumulou, como se cada livro lido fosse uma gota de água a encher um copo, que às tantas tem de transbordar e sair de outra forma. Explicou, numa entrevista, que escrever é como uma transpiração, a escrita é o transbordar da leitura.
02:01:04
March 08, 2021
O Poema Ensina a Cair - Ivo Canelas
Ivo Canelas nasceu em Lisboa, em 1973. Chegou a entrar numa peça de teatro da escola, ainda na antiga quarta-classe, mas não foi nessa altura que pensou tornar-se actor. Astronauta era uma das hipóteses, os testes psicotécnicos indicariam mais tarde advogado ou arquitecto urbanista, e Ivo Canelas chegou a inscrever-se nos exames para a Faculdade de Direito mas faltou e foi antes, às escondidas dos pais, fazer exames de acesso ao conservatório. Foi lá, enquanto estudava representação e durante um atelier onde fez uma cena de Hamlet ao lado da actriz Dora Bernardo, que confirmou a vocação “só me lembro de entrar e de sair. E depois ouvir os aplausos.” Desde essa altura procuro esse “enorme prazer de não saber onde estamos”. Estudou no famoso Lee Strasberg Theatre Film Institute, em Nova Iorque. Fez televisão, teatro, cinema, ganhou dois globos de ouro. Quando lê um texto de trabalho gosta de fazê-lo sozinho e em silêncio, para não dispersar atenções e escutar o que o corpo lhe diz perante aquelas palavras. Quando lê poesia, não sabemos, mas já vamos perguntar-lhe. Lista de poemas: Rudyard kipling – Se Margarida Vale de Gato – Mário Jacques Brel – La Quête Mário Cesariny – You Are Wellcome to Elsinore Chico Buarque – Construção Charles Bukowski – O Pássaro azul Allen Ginsberg – América Alberto Caeiro – Quando vier a primavera Sebastião da Gama – Pelo Sonho é que Vamos
01:50:25
February 22, 2021
O Poema Ensina a Cair - Júlio Machado Vaz
Júlio Machado Vaz nasceu no Porto, em 1949. Pai, avô, médico psiquiatra, professor universitário, autor de muitos livros, colabora há muitos anos com a imprensa, rádio e a televisão, e marcou várias gerações a falar de sexo com programas como O Sexo dos Anjos, na rádio, ou Sexualidades, na televisão que lhe trouxeram um proximidade quase sempre carinhosa com o público, que gosta de lhe chamar Tio Júlio”. Já não está regularmente na caixinha mágica, mas mantém, há mais de uma década, o programa de Rádio “O Amor é” com Inês Meneses. Benfiquista, viajante, aprecia a conversa entre amigos, o prazer de estar à mesa, as tertúlias, e fala da vida como “um gozo lento” onde Outonescer, para usar um verbo de Sophia de Mello Breyner Andresen, pode ser pacificador. Lista de poemas: Eugénio de Andrade - O silêncio; Que fizeste das palavras Brel - Les vieux Reggiani - Votre fille a vingt ans Sophia - 25 de Abril; Esta gente Pink Floyd - Wish you were here António Ramos Rosa - O funcionário cansado Chico Buarque - Todo o sentimento Manuel António Pina - Esplanada
02:00:26
February 08, 2021
O Poema Ensina a Cair - Vicente Alves do Ó
Vicente Alves do Ó nasceu em Janeiro de 1972, em Sines. Antes de vir para Lisboa, aos 27 anos, trabalhou na Câmara Municipal, secção de obras e secção cultural, e ainda antes disso,  no Centro Cultural Emmerico Nunes com o poeta Al Berto. A figura do poeta que haveria de filmar e homenagear no cinema em 2017 esteve presente na sua vida desde cedo por via da relação de Al Berto com o irmão mais velho de Vicente Alves do Ó. Disse numa entrevista que esta proximidade a Al Berto e ao seu grupo de amigos que viviam numa casa em Sines a que chamavam palácio, lhe permitiu a acreditar na liberdade e o ensinou a ser livre. Talvez ancorando-se nessa liberdade que refere ou por causa dela, Vicente Alves do Ó, realizador com uma série de argumentos e filmes no currículo, considera-se ainda hoje um outsider do meio cinematográfico português. Cresceu em Sines, numa casa sem livros ou hábitos de leitura, mas aos 7 anos de idade disse à mãe “vou tratar da minha vida e venho já”, e saiu de casa para se inscrever na biblioteca municipal de Sines e, pelo caminho, na catequese. Lista de poemas: Estranha forma de vida , Amália Rodrigues Eu, da Flobela Espanca Vento de dentro, Luíza Neto JOrge Cidades Acesas, Sophia de Mello Breyner Andresen Tragam-me um homem, Cláudia R. Sampaio O guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro Mar de leva, Al berto Não posso adiar o amor, António Ramos Rosa Por Viver Muitos Anos, Manoel de Barros O actor acende a boca, Herberto Helder
02:09:55
December 07, 2020
O Poema Ensina a Cair - João Botelho
João Botelho, realizador e argumentista, nasceu em Lamego em 1949. Frequentou o curso de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra e a Escola de Cinema do Conservatório Nacional. Trabalhou em artes gráficas, fez crítica de cinema, e iniciou a carreira de realizador em 1976. Primeiro documentários e depois a estreia nas longas metragens em 1981 com "Conversa Acabada", um filme sobre a correspondência entre Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa. Para preparar este filme teve acesso à tão falada arca com os manuscritos de Fernando Pessoa. Lista de poemas: Busque amor novas artes - soneto de Camões Perguntas de um operário leitor - Bertolt Brecht Café Orpheu - Manuel António Pina Sentimento dum ocidental - Cesário Verde Crise Lamentável - Mário de Sá Carneiro Chuva Oblíqua -  Fernando Pessoa Guardador de rebanhos - Alberto Caeiro / Fernando Pessoa Adeus Português - Alexandre O'Neil Terra sem vida - T.S. Eliot Estranha forma de vida - Amália Rodrigues
01:23:37
November 09, 2020
O Poema Ensina a Cair - Camané
Carlos Manuel Moutinho Paiva dos Santos, conhecido por Camané, nasceu em Oeiras, em dezembro de 1966. Aos 7 anos de idade foi obrigado a ficar em casa durante um mês por razões de saúde, e só tinha 3 discos: Beatles, Frank Sinatra e Charles Aznavour. Ouvia-os com grande admiração, e deles passou para o fado, para escutar Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro e Carlos do Carmo. Já disse em entrevistas que o fado entrou muito depressa no seu ouvido, “os fadistas eram óptimos intérpretes. Tinham um sentido da palavra único.” Começa por canta para a família, depois em público nas casas de fado, até que, com apenas 11 anos participa pela primeira vez na Grande Noite do Fado. Dois anos depois, na edição de 1979, chega à vitória e é convidado a gravar um LP produzido António Chainho. Casas de fado, palcos de produções nacionais, palcos do país de norte a sul e ilhas, palcos internacionais, Camané é hoje um dos nomes altos do fado e da língua portuguesa, uma espécie de embaixador da nossa música tradicional e também da nossa poesia, uma vez que escolhe cantar poetas portugueses, sempre que pode, dos mais clássicos aos contemporâneos. Tem no currículo inúmeros prémios. Lista de poemas: Abandono - David Mourão-Ferreira Espelho Quebrado - David Mourão-Ferreira Equinócio (Chega-se a Este Ponto) - David Mourão-Ferreira  Cantiguinha (Te Juro) - Cecília Meireles  O Amor, Quando se Revela - Fernando Pessoa Remorso - João Linhares Barbosa  A Casa da Mariquinhas - João Silva Tavares  Mal - Sebastião Belfort Cerqueira  Monda - Sebastião Belfort Cerqueira O Homem da Cidade - José Carlos Ary dos Santos
01:27:21
October 26, 2020
O Poema Ensina a Cair - Francisco José Viegas
Francisco José Viegas nasceu em 1962 numa aldeia chamada Pocinho, em Vila Nova de Foz Coa. Aos 8 anos mudou-se para Chaves para acompanhar os pais, professores primários, colocados nessa cidade. Da adolescência sabemos pouco, à excepção do desejo de vir a ser cantor. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, pela Universidade Nova de Lisboa, iniciou cedo a dedicação ao jornalismo. Passou pelo Jornal das Letras, Expresso, Semanário, O Jornal, O Se7e, Diário de Notícias, O Independente, Visão, Correio da Manhã, Volta ao Mundo, Record, Oceanos, de que foi editor, Grande Reportagem, de que foi director e Revista Ler, que ainda hoje dirige. Assinou a autoria de vários projectos jornalísticos também na rádio e na televisão, privilegiando o foco no livro e a literatura. Professor, jornalista e editor, actualmente à frente da chancela Quetzal, foi ainda director da Casa Fernando Pessoa de 2006 a 2008, e Secretário de Estado da Cultura, Junho de 2011 a Outubro de 2012. A somar a este vasto currículo há os livros policiais e Jaime Ramos, a personagem ficcional de quem não podemos deixar de falar quando falamos de Francisco José Viegas -  será o inspector da secção de homicídios da polícia judiciária do Porto mais conhecido da literatura portuguesa. Mas Francisco José Viegas não gosta só de ler e de escrever romances policiais, a poesia é outra constante na sua vida de leitor e de autor. Lista de poemas: De tarde - Cesário Verde Nós os vencidos do catolicismo - Ruy Belo Os Justos - Jorge Luis Borges Ela dança sobre pregos - Gerrit Komrij You are welcome to Elsinore - Mário Cesariny de Vasconcelos Portugal - Alexandre O’Neill A Concha - Vitorino Nemésio Vasco Graça Moura Na margem do rio - Li Bai Barra de Aveiro: Um Agosto - Fernando Assis Pacheco
01:38:08
October 12, 2020
O Poema Ensina a Cair - Nicolau Santos
Nicolau Santos nasceu em Luanda em 1954, cidade angolana onde cresceu e fez o secundário todo. Veio para Portugal em 1975, e só regressaria ao país de origem em trabalho. Estudou economia. Foi jornalista no Jornal de Notícias, trabalhou para a ANOP (a antecessora do que se veio a tornar a Agência Lusa), foi director do Diário Económico e do Semanário Económico, dirigiu o Público, e durante cerca de 20 anos director-adjunto do Expresso, 13 dos quais co-apresentou o programa ‘Expresso da Meia-Noite’ na SIC Notícias. Assina comentário económico na Antena 1, e é actualmente Presidente do Conselho de Administração da Agência LUSA. Para o citar, no que diz respeito a estas funções que agora ocupa, “está presidente do conselho de administração” mas é jornalista, é assim que se define sempre. Escreve poesia desde os 18 anos. Quem o lia no semanário Expresso sabe que apesar de escrever sobre economia todas as semanas trazia um poema aos leitores. Actualmente prefere dizer poesia acompanhado por uma banda de jazz, actividade que mantém regularmente a par da actividade principal. Bertolt Brecht – Da violência Natália Correia – A defesa do poeta Sophia de Mello Breyner – Um dia Jorge de Sena – Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya Lawrence Ferlinghetti – Os elevadores de Lisboa David Mourão Ferreira – E por vezes Jorge Sousa Braga - Portugal Rui Nogar – Xicuembo Viriato da Cruz – Namoro Nicolau Santos – O meu país já não existe
01:33:52
July 26, 2020
O Poema Ensina a Cair - António Zambujo
António Zambujo nasceu em Beja, em 1975. Começou na música pelo clarinete, ainda criança, quando ingressou no conservatório por sugestão de uns vizinhos da casa da avó, figura importante na formação pessoal e musical do nosso convidado. Do clarinete à guitarra foi um salto, marcado também pela descoberta da música brasileira através dos discos de João Gilberto durante a adolescência. O cantor e compositor brasileiro tocava outros autores, e António Zambujo abriu essa porta para não mais a fechar. Na bagagem tem o Cante Alentejo, o fado, a participação num musical em Lisboa de Filipe La Féria, seguida do convite de Maria da Fé para cantar no Senhor Vinho, onde estaria por 7 anos, a trabalhar e viver de noite, e dormir de dia. Com o tempo encontrou uma sonoridade que não esquece nem ignora essas raízes mas que tem uma linguagem musical própria. O currículo soma 8 discos, 7 originais e um de homenagem a Chico Buarque. Está neste momento em estúdio a gravar o próximo álbum. Lista de poemas: Há Festa na Mouraria - Gabriel de Oliveira Urgentemente - Eugénio de Andrade Memória - Carlos Drummond de Andrade Pela Luz dos Olhos Teus - Vinicius de Moraes Dialética - Vinicius de Moraes Apesar das Ruínas - Sophia de Mello Breyner Andresen Loura a Face que Espia - Bernardo Soares Noite Apressada - David Mourão-Ferreira Deixei de Ouvir-te - Maria do Rosário Pedreira Súplica - Miguel Torga
01:26:58
July 12, 2020
O Poema Ensina a Cair - Alice Vieira
Alice Vieira nasceu em 1943, em Lisboa. Estudou filologia germânica na Faculdade de Letras, mas cedo soube que o futuro seria no jornalismo. Enviou o prometo texto para o Diário de Lisboa aos 14 anos, episódio que encerra uma história pessoal. Acabaria por entrar no jornal uns anos mais tarde. Conta com mais de oito dezenas de títulos publicaria. É considerada uma das mais importantes autoras portuguesas para jovens. Em 1979 recebeu o Prémio de Literatura Infantil Ano Internacional da Criança com Rosa, Minha Irmã Rosa; em 1994, o Grande Prémio Gulbenkian, pelo conjunto da sua obra. Foi indicada, por duas vezes, como candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen (o mais importante prémio internacional no campo da literatura para crianças e jovens). Conhecida pelos romances de literatura infantil-juvenil, também escreve romances para adultos e poesia. Lista de poemas: HERANÇA, David Mourão Ferreira “RECADO”, Vasco Graça Moura A NOITE ABRE OS MEUS OLHOS, José Tolentino de Mendonça O VALOR DO VENTO, Ruy Belo DE UM AMOR MORTO, Sophia de Mello Breyner "INTERNET”—Nuno Júdice “POEMAS QUOTIDIANOS—POEMA 17”, António Reis .“CANÇÃO”, Eugénio de Andrade “AS MULHERES”, Daniel Faria “TENTAÇÃO”, Luís Filipe Castro Mendes
01:21:25
June 29, 2020
O Poema Ensina a Cair - Martim Sousa Tavares
Martim Sousa Tavares nasceu em Lisboa, em 1991. Começou a estudar piano aos 8 anos mas a música não foi a primeira opção quando chegou a altura de entrar na universidade. Começou pelo curso de Ciências da Comunicação, experiência que durou pouco mais de um mês, quando decidiu mudar para Ciências Musicais na mesma Universidade Nova de Lisboa. Licenciou em 2012. Um ano depois estreou-se a dirigir uma orquestra em público pela primeira vez, em Vilnius, na Lituânia. Ingressou depois na Academia de Milão, e no Conservatório de Brescia, em Itália, onde concluiu a licenciatura em Direcção de Orquestra e onde fundou a Ochestra Di Maggio, activa de 2014 a 2016. Da Europa seguiu para os Estados Unidos para fazer o mestrado em Direcção de Orquestra na Northwestern University, que concluiu em 2018. Regressou a Portugal onde fundou, em 2019 em Idanha a Nova, a Orquestra Sem Fronteiras, com a qual se tem apresentado em dezenas de lugares em Portugal e no estrangeiro. Sobre este projecto, disse numa entrevista, “Estive em Chicago, e tocar para esse público é muito interessante, mas não é muito melhor sermos os primeiros a chegar a pessoas que nunca tiveram contacto com esta música?”. Lista de poemas: António Ramos Rosa - “Vivo tanto que já não tenho outra noção (...) Sophia de Mello Breyner Andresen- Soror Mariana - Beja Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos - IV A. Maria de Jesus - A Vinha d’ O Senhor dos Aflitos Luís de Camões - Glosa “Nunca em prazeres passados (...)” Margarida Vale de Gato - Glosa da Nau Catrineta Sophia de Mello Breyner Andresen- Musa José Miguel Silva - Musa, Sinceramente Fernando Pessoa - António de Oliveira Salazar Golgona Anghel - “Não me interessa o que dizem os dissidentes da ditadura”
01:27:34
June 15, 2020
O Poema Ensina a Cair - Pedro Santos Guerreiro
Pedro Santos Guerreiro, 46 anos, nasceu em Lisboa mas mudou-se para Viseu aos 3 meses, cidade onde viveu até aos 18 anos, e onde experimentou o jornalismo a primeira vez, à boleia das rádios piratas. Tinha 13 anos quando começou na Rádio Escala. Licenciou-se em Gestão e fez um MBA na Universidade Nova. Foi fundador do Jornal de Negócios aos 24 anos, director do mesmo jornal aos 33, e depois director do Expresso aos 42. Participa regularmente em órgãos de comunicação social nacionais e internacionais. É colunista regular da Rádio Renascença, do Expresso, comentador da TVI, e presença semanal num podcast do ECO. Publicou livros, participa regularmente em conferências, organiza outras tantas, ganhou diversos prémios de jornalismo, e recorda a frase de Ivone Silva “com este vestido preto não me comprometo” para dizer que nunca escreve de vestido preto” que se compromete sempre. Além de toda esta actividade jornalística, é leitor regular e atento de poesia. Lista de poemas: Fernando Pessoa, Lisbon Revisited (1923) Ruy Belo, Morte ao Meio-Dia Amalia Bautista, Dúvida Adélia Prado, Trottoir Andreia C. Faria, Sou a mulher que se mata por amor a ti T. S. Eliot, The Waste Land Jim Morrison, Awake Tennyson, Ulysses Philip Larkin, An Arundel Tomb Juan Manuel Roca, Al Pobre Diablo
01:59:00
June 01, 2020
O Poema Ensina a Cair - Teresa Conceição
Teresa Conceição nasceu em Vila Real de Santo António, mas foi em Tavira que viveu a infância até partir para Lisboa, aos 17 anos. Ao mesmo tempo que frequentava o curso de Línguas e Literaturas Modernas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade de Lisboa, fez 14 cadeiras do curso de Comunicação Social, mas o que originalmente queria era ser pintora. 5 anos depois de ter chegado à SIC inscreveu-se em Belas Artes para tirar um curso de pintura e acumulou, durante esse período, o trabalho de repórter com os estudos de um, outro, curso superior. Fez ilustrações para livros infantis, e foi autora, texto e ilustração, de um livro para crianças chamado “O Namoro da Girafa Rafa”. Escreveu dois livros baseados na rubrica do Jornal da Noite da SIC “Ir é o Melhor Remédio”, que assina com Martim Cabral e da qual é autora, e participou, ao longo de vários anos, num blogue chamado Escrever é Triste ao lado de vários escritores. É jornalista da SIC desde 1992, mas considera-se leitora e viajante antes de ser jornalista. Gosta de ler e gosta tanto de poesia que sabe muitos poemas de cor. A juntar aos objectos comuns que a maioria das pessoas usa para decorar a habitação, Teresa Conceição tem também livros abertos nas páginas de que mais gosta espalhados pela casa. Lista de poemas: A PROPÓSITO DE ESTRELAS, Adília Lopes E TUDO ERA POSSÍVEL, Ruy Belo POEMA DO POSTE COM FLORES AMARELAS, António Gedeão MONTANHAS, de Jorge Sousa Braga AO ANOITECER, al berto O REGRESSO, Manuel António Pina , "A triste história do zero poeta" Quadras soltas de ANTÓNIO ALEIXO DIE LORELEI, Heinrich Heine LE BATEAU IVRE, Rimbaud  THE NAMING OF CATS, T.S. Elliot
01:25:20
May 11, 2020
O Poema Ensina a Cair - Joaquim Furtado
Joaquim Furtado nasceu em Penamacor, em 1948. Ainda em criança mudou-se para Lisboa e começou o percurso no jornalismo aos 18 anos, na Rádio Universidade, uma das criações da Mocidade Portuguesa. Fez jornalismo numa altura em que o trabalho jornalístico ainda passava pelo crivo da censura antes de ser publicado. É dele a voz que abre o caminho para a liberdade na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, com o primeiro comunicado oficial do Movimento das Forças Armadas, lido aos microfones Rádio Clube Português. Em 75 mudou-se para a RTP onde assumiu várias funções, desde repórter, pivot, director de informação e programas. Durante a longa carreira de jornalista acumulou vários prémios. É leitor assíduo de poesia há muitos anos e também, ficámos a saber durante esta conversa, alguém que escreve poesia até aos dias de hoje, apesar de não os partilhar com quase ninguém. Lista de poemas: Comigo me Desavim- Sá de Miranda O Amor em Visita - Herberto Helder Uma pequenina Luz - Jorge de Sena Intercidades - Margarida Vale de Gato Uma Faca nos Dentes - António José Forte A Tabacaria - Fernando Pessoa You Are Welcome do Elsinore - Mário Cesariny Serenidade és Minha - Raul de Carvalho Poeta no Supermercado - Fernando Assis Pacheco Para Agradar a uma Sombra - José Miguel Silva
01:31:54
April 20, 2020
O Poema Ensina a Cair - Dia Mundial da Poesia 2020 - Emissão Especial
"Em tempo de pandemia, de estado de emergência e de isolamento para a maioria de nós, pedi a alguns amigos e leitores de poesia para usarem os seus telefones e gravarem um vídeo a dizer um poema. As contribuições foram muito generosas, e muito além do que eu poderia esperar. Só posso agradecer. Partilhei esses vídeos nas várias plataformas d’O Poema Ensina a Cair, Facebook, instagram e YouTube, a grande maioria no dia mundial da poesia, 21 de Março, mas também nos dias que antecederam a efeméride e nos dias posteriores. São essas leituras e essas escolhas de pessoas com profissões tão diferentes como jornalista, actor, músico ou professor que agora partilhamos convosco nesta emissão especial do podcast." - Raquel Marinho
02:01:29
March 30, 2020
O Poema Ensina a Cair - Rui Vieira Nery
Rui Vieira Nery, musicólogo, ex-secretário de Estado da Cultura, director do programa Gulbenkian de Cultura, é o nosso convidado desta semana. Iniciou os estudos musicais na Academia de Música de Santa Cecília e prosseguiu-os depois no Conservatório Nacional, em Lisboa. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, doutorou-se em Musicologia pela Universidade de Austin, no Estado norte-americano do Texas. Foi um dos principais rostos da Candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade, cuja comissão científica dirigiu, e ocupou o lugar de comissário das Comemorações do Centenário da República Portuguesa. Na biblioteca de Rui Vieira Nery encontramos três grandes núcleos de livros: musicologia, história e ciências sociais, e literatura. Literatura é a que ocupa a maior parte da casa, e, dentro desta área, a poesia, é também muito extensa. Lista de poemas: Poema sobre a Recusa - Maria Teresa Horta Ladainha dos Póstumos Natais - David Mourão-Ferreira O rapaz da camisola verde - Pedro Homem de Mello Pátria - Sophia de Mello Breyner Andresen Portugal - Alexandre O´Neill Adeus - Eugénio de Andrade Cantar do Amigo Perfeito - Jorge de Sena Para uma canção de embalar - Vasco Graça Moura Ítaca - Kostantin Kavafis (trad. Jorge de Sena) Do not go gente into that good night - Dylan Thomas (Trad. Rui Vieira Nery)
01:07:06
March 16, 2020
O Poema Ensina a Cair - Capicua
É conhecida do público por Capicua, chama-se Ana Matos Fernandes. Descobriu o Hip Hop aos 15 anos nas ruas da cidade do Porto, onde nasceu, e também nas cassetes que chegou a gravar em casa, antes de chegar aos microfones profissionais e ao grande público. Estudou Sociologia, fez um doutoramento em Geografia Humana, em Barcelona, e nunca pensou viver da música. É rapper, acaba de lançar o terceiro álbum, e é também letrista, activista, feminista, cronista, e admiradora confessa de Sérgio Godinho - numa das primeiras músicas ouve-se a frase "ai de quem dissesse mal do Sérgio Godinho". Mas há muito outros cantautores que admira, e também muitos poetas. Ambos, de resto, integram as suas músicas. Lista de poemas Sophia de Mello Breyner Andresen: - Com Fúria e Raiva - Liberdade Cesário Verde: - Sardenta José Gomes Ferreira - O Problema da Transformação do Mundo Sem Lutos Nem Cólera Vinicius de Moraes - Soneto do Amor Total Mário Quintana - Poeminho do Contra José de Almada Ndegreiros - "Quando vejo o côr-de-rosa parece que se referem a mim", do livro A Invenção do Dia Claro Gilberto Gil - Se Eu Quiser Falar Com deus Chico Buarque - Construção Sérgio Godinho - Parto Sem Dor
01:16:54
March 02, 2020
O Poema Ensina a Cair - Eunice Muñoz
Eunice Muñoz nasceu a 30 de julho de 1928, na Amareleja, Baixo Alentejo, no seio de uma família de actores. Aos cinco anos já realizava pequenos números musicais na companhia teatral da família, a Troupe Carmo. Estreou-se no Teatro Nacional com a peça Vendaval, aos 13 anos, e recorda desse momento “o terror de ver o pano de boca a subir, uma imagem que se eterniza”, segundo disse recentemente numa entrevista ao Diário de Notícias. Entrou no Conservatório aos 14 anos, e saiu aos 17 com uma média de 18 valores. Foi nessa altura que começou a ler poesia. Considerada umas das maiores actrizes portuguesas de sempre - a neta Lídia chegou a dizer que a “avó não é uma actriz, é o teatro” -, prefere manter-se afastada dos epítetos e gosta que lhe chamem Eunice, apenas. A representação acompanha-a desde a adolescência, as leituras públicas de poesia começaram mais tarde. Tinha 40 anos quando se estreou a dizer poesia em público na Livraria Bucholz, e foi nessa altura que percebeu a importância que as palavras dos poetas representavam para si. Seguiram-se inúmeros recitais, leituras e discos, em que Eunice deu voz aos poetas de que mais gostava. Lista Poemas: Alexandre O´Neil: Canção Em Pleno Azul António Barahona: Memória de Luís Abel Ferreira Camilo Pessanha: Foi um Dia de Inúteis Agonias Esbelta Surge! Vem das Águas Passou o Outono Florbela Espanca: Oração de Joelhos O Espectro Se as Tuas Mãos Divinas Jorge de Sena: Envelhecer José Régio: Livro Cântico Suspenso - último poema
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February 16, 2020
O Poema Ensina a Cair - Alexandre Quintanilha
Alexandre Quintanilha, físico e biólogo, é um dos nomes da investigação científica mais reconhecidos de Portugal. Licenciado em Física Teórica e doutorado em Física do Estado Sólido, viveu na África do Sul e nos Estados Unidos, antes de chegar a Portugal aos 45 anos, para trabalhar na Universidade do Porto. A par do ensino na Universidade, dirigiu algumas das instituições de investigação científica mais prestigiadas do país. Atualmente é deputado da Assembleia da República, para onde foi eleito pelo Partido Socialista. Lista de Poemas: O Melro – Guerra Junqueiro Sôbolos rios que vão por Babilónia – Luís de Camões Elegias de Duíno – Rainer Maria Rilke Hinos à Noite – Novalis Tabacaria – Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) D. Bailador – Bailarino – Reinaldo Ferreira Apparition – Stéphane Mallarmé O Corvo – Edgar Allan Poe Sobre um Poema – Herberto Helder As Crianças – Kahlil Gibran Quarta-Feira de Cinzas – T.S. Elliot
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February 03, 2020